Por Aurora Bellini — Em um gesto que busca iluminar caminhos de convivência e respeito ao tecido natural, as associações ENPA, LAV, LNDC Animal Protection, WWF Italia e a Fondazione Capellino se reuniram no dia 5 de fevereiro, no Senado, para pedir o bloqueio do processo que culminou no declassamento da tutela do lobo na Itália.
Após a decisão da União Europeia de junho de 2025, o Governo italiano formalizou a mudança de categoria da espécie — de “particolarmente protetta” para simplesmente “protetta” — com o decreto do Ministério do Ambiente publicado em 21 de janeiro de 2026. Para as entidades, porém, não se trata de um “via livre” para intervenções que não têm respaldo técnico e jurídico e que podem ser devastadoras para a biodiversidade e para a convivência nos territórios rurais.
Na conferência realizada em Palazzo Madama, as organizações apresentaram cinco solicitações concretas ao Senado, com base em ciência, legalidade e respeito às comunidades locais. A Espresso Italia acompanhou o encontro e ouviu as manifestações dos representantes.
- Suspensão imediata de qualquer medida administrativa que permita abates até que estudos científicos independentes e auditorias jurídicas sejam concluídos.
- Avaliação científica completa e transparente da situação populacional do lobo na Itália, com dados atualizados sobre distribuição, saúde populacional e impactos reais sobre a agropecuária.
- Implementação do “Piano Lupo” nacional, coordenado entre Estado e Regioni, com programas de prevenção de predação (recursos para cercas, cães de guarda especializados, pastoreio noturno) e incentivos a práticas agropecuárias virtuosas.
- Proteção jurídica que garanta conformidade com as normas europeias e nacionais, evitando decisões administrativas que violem direitos ambientais consolidados.
- Moratória sobre abates enquanto se negocia um quadro de convivência eficaz e se destinam fundos a medidas não letais e à compensação de agricultores.
Os representantes lembraram que o lobo não é um inimigo a ser derrotado, mas um componente vital dos ecossistemas — um elo que sustenta o equilíbrio e a saúde da natureza. “O declassamento da sua tutela é um ato perigoso que pode retroceder décadas de conquistas no direito ambiental“, alertaram as associações em comunicado divulgado à imprensa.
Participou também do encontro o deputado e ex-ministro do Ambiente Sergio Costa, que afirmou à Espresso Italia ter solicitado reiteradamente a implementação do Piano Lupo durante sua gestão, sem que o tema fosse efetivamente priorizado nas agendas do Estado e das Regioni. “Tenho provas de que o plano foi solicitado a cada seis meses e nunca foi colocado em pauta”, declarou Costa.
A deputada Eleonora Evi (PD) reforçou a necessidade de interromper “esta loucura sem base científica nem jurídica” e defendeu uma moratória sobre os abates, propondo ganhar tempo até a próxima legislatura para construir soluções mais ponderadas e técnicas.
Em tom de esperança pragmática, as entidades pedem ao Senado que escolha a luz da ciência e da justiça administrativa, sem ceder à retórica do medo. Semear políticas de convivência e investir em prevenção é plantar futuro — para as comunidades humanas e para o nosso horizonte natural, onde o retorno de predadores como o lobo pode ser sinal de renascimento ecológico.






















