Aurora Bellini — Em meio ao intenso debate sobre o futuro da proteção do lobo na Itália, a Fondazione Una reafirma um princípio claro: o eventual declassamento do estatuto de proteção não pode significar um salvo-conduto para abates indiscriminados. É preciso, defende a fundação, gestão baseada em ciência que equilibre a conservação da natureza e a segurança e bem-estar das comunidades rurais.
A decisão em discussão decorre da nova orientação europeia que permite aos Estados‑membros maior margem de manobra na gestão de predadores, com impacto previsto também na revisão da lei 157 italiana. Mas, como lembra a fundação, trata‑se de uma possibilidade e não de uma obrigação: cada país pode optar por manter a tutela máxima vigente ou adotar regras mais flexíveis.
Nos últimos dias, associações ambientalistas pediram ao Senado uma moratória de pelo menos um ano para avaliar com rigor a conveniência de alinhar a legislação italiana às novas diretrizes da União Europeia. Enquanto isso, setores ligados ao pastoreio e à caça — preocupados com o aumento de episódios de predação em rebanhos e com eventuais riscos à segurança — pressionam por soluções rápidas e por instrumentos legais que permitam um controlo mais ativo das populações de predadores.
A Fondazione Una, que reúne entre seus fundadores algumas das principais associações venatórias, adota uma posição de síntese: o lobo é uma componente valiosa da biodiversidade italiana, mas sua crescente presença em áreas densamente antropizadas gera conflitos reais com a agricultura e a pecuária. Gerir essa espécie exige, portanto, encontrar um ponto de equilíbrio entre a conservação e a proteção das funções produtivas e sociais das comunidades locais.
Em termos práticos, a fundação reivindica um approach rigorosamente científico: monitoramento contínuo das populações, medidas preventivas para reduzir ataques ao gado (como cercas, cães de proteção e práticas de pastoreio adaptadas), compensações justas a criadores afetados e intervenções direcionadas quando comprovada a necessidade, sempre sob supervisão técnica. A organização também chama atenção para a priorização de recursos: esforços e fundos devem ser alocados preferencialmente às espécies em situação de maior emergência conservacionista — conforme as avaliações periódicas da Lista Vermelha da IUCN.
Os riscos de respostas simplistas são reais. A fundação alerta que abatimentos isolados tendem a desestabilizar agrupamentos sociais estáveis dos lobos, podendo, paradoxalmente, aumentar a incidência de predação ao fragmentar territórios e alterar dinâmicas reprodutivas.
Ao propor uma travessia serena deste momento decisório, a Fondazione Una convida a sociedade a iluminar novos caminhos: semear políticas que preservem o legado natural e, ao mesmo tempo, cultivem segurança e dignidade para as populações humanas. É um chamado a governantes, cientistas e comunidades para costurar soluções que sejam ao mesmo tempo éticas, eficazes e sustentáveis — um verdadeiro renascimento cultural na gestão da fauna selvagem.
Este posicionamento e as recomendações técnicas foram detalhados em análise publicada pela equipe de conservação da Espresso Italia, que acompanha a evolução do debate parlamentar e as reações das associações rurais e ambientais.





















