Por Aurora Bellini — Enquanto as cidades se iluminam para saudar o novo ano, nem todos veem nesses brilhos um motivo de festa. Os **fogos de artifício** e os chamados botti de fim de ano podem transformar a véspera em um momento de pavor para muitos animais. O médico veterinário Federico Coccia, autor de Con gli occhi del tuo cane, lembra com ternura sua pastora-alemã Vega e descreve bem o dilema: “Eu acalmo a minha Vega abraçando-a” — um gesto simples que revela o que cães e tutores mais precisam nesses instantes.
Por que os fogos assustam tanto nossos pets?
Os ruídos altos, os estrondos súbitos e os clarões no céu são percebidos de forma muito mais intensa por cães e gatos. Como explica o veterinário, o ouvido deles é tão sensível que um estouro que para nós é incômodo pode equivaler, para eles, a algo semelhante a “uma explosão a um metro de distância”. Esse choque provoca reações que vão da ansiedade aguda a fugas, ferimentos por movimentos bruscos e, em casos extremos, problemas cardíacos.
Diferenças entre cães e gatos
Os comportamentos variam por espécie: os **gatos** tendem a se esconder em locais silenciosos e protegidos dentro de casa — hoje em dia, é onde buscam seu abrigo natural. Já os **cães**, por serem animais de matilha, procuram nos humanos segurança e conforto. Por isso, a nossa postura importa: manter a calma transmite segurança e ajuda a modular a reação do animal.
Antes da meia-noite: preparar o terreno
- Certifique-se de que o animal esteja identificado (microchip e coleira com contato atual). Em festas e estampidos, muitos pets se perdem.
- Faça um passeio mais cedo e seguro, evitando horários próximos à virada. Não deixe o animal no quintal ou preso do lado de fora.
- Crie um refúgio dentro de casa: uma cama com cobertores, brinquedos e um local onde o pet já esteja acostumado. Para gatos, caixas e cantinhos altos funcionam bem.
- Considere difusores de feromônio, música calma ou ruído branco para mascarar os estouros. Evite expor o animal a vídeos de fogos apenas para dessensibilizar sem orientação adequada.
- Converse com o veterinário se o seu animal tem histórico de ansiedade: medicações e estratégias comportamentais só devem ser usadas com indicação profissional.
Durante os estouros: como agir
- Mantenha portas e janelas fechadas, cortinas descasadas e luzes acesas para reduzir os flashes.
- Não repreenda ou force o afastamento do animal. O abraço ou presença tranquila de um tutor pode ser suficiente para muitos cães; para gatos, respeito ao espaço é essencial.
- Ofereça distrações seguras — petiscos, brinquedos interativos ou uma atividade familiar calma.
- Se houver muita pirotecnia no bairro, evite sair de casa. Se precisar sair, mantenha o pet com coleira e identificação.
Depois da festa: riscos e cuidados
Ao amanhecer, as ruas podem conter fragmentos, destroços e fogos não detonados. Esses restos representam perigo por cortes, queimaduras ou ingestão. Faça uma verificação externa antes de soltar o animal; recolha resíduos e mantenha-se atento a sinais de intoxicação ou ferimentos. Se o seu pet fugir, consulte abrigos, centros de proteção animal e divulgue nas redes locais com fotos e informações precisas.
Responsabilidade coletiva
Organizações de proteção animal alertam para os riscos e pedem alternativas aos fogos tradicionais — há opções de shows de luzes e eventos com som controlado que respeitam a fauna urbana. Como voz da Espresso Italia, nós também celebramos a invenção de soluções que iluminam sem ferir: é possível acolher a tradição enquanto semeamos bem-estar.
Perante o barulho, ofereça ao seu animal não apenas abrigo físico, mas estabilidade emocional. Ao preparar com antecedência e agir com serenidade, nós podemos, juntos, iluminar um caminho mais seguro e compassivo para quem divide com a gente a casa e a vida.
Se houver sinais de trauma, fuga, ferimento ou alteração do comportamento, procure imediatamente um médico veterinário.






















