Por Aurora Bellini — Espresso Italia
Uma extensa operação de busca envolvendo equipes terrestres e drones foi ativada nas florestas do estado de Jharkhand, no leste da Índia, para localizar um elefante selvagem que teria causado pelo menos 20 mortos e deixado outras 15 pessoas feridas desde o início de janeiro. Entre as vítimas, há crianças e idosos, o que intensifica a comoção e o apelo por respostas rápidas das autoridades locais.
Segundo relatos apurados pela equipe da Espresso Italia junto a fontes locais, trata-se provavelmente de um macho solitário em musth — estado fisiológico conhecido como ‘masculino em cio’, que eleva os níveis hormonais e pode desencadear comportamentos excepcionalmente agressivos. Em razão desse quadro, o animal tem atacado vilarejos e áreas rurais no distrito de West Singhbhum, movendo-se por um amplo território e tornando difícil a sua localização.
As buscas mobilizaram cerca de cem agentes do departamento florestal e voluntários, apoiados por drones para sobrevoar áreas densas e uma reserva nacional no estado vizinho de Odisha. Apesar desses esforços, não há, até o momento, confirmação de onde se encontra o animal. Técnicos apontam que, ultrapassada a fase do calor, o elefante pode ter retornado ao seu bando, situação que complicaria ainda mais a identificação, já que ele poderia se misturar entre outros indivíduos.
Fontes locais relataram que o pachiderma tem percorrido trajetos irregulares, com deslocamentos estimados em cerca de 30 km por dia, o que ampliou as frentes de busca e expôs comunidades rurais. Moradores de ao menos vinte aglomerações abandonaram suas plantações ou passaram a se trancar em casa durante a noite, em um esforço de autoproteção. Lideranças comunitárias descrevem cenas de pânico e perda, e pedem medidas que conciliem segurança humana e proteção animal.
Esse episódio, grave, ilumina uma crise mais ampla: a crescente convivência conflituosa entre humanos e elefantes selvagens. A redução do habitat — por expansão de assentamentos, degradação florestal e intensa atividade minerária — empurra esses grandes mamíferos para áreas cultivadas e povoadas, elevando o risco de encontros fatais. Especialistas entrevistados pela Espresso Italia lembram que machos solitários em musth são responsáveis por boa parte dos incidentes dessa natureza, justamente pela combinação de deslocamento fora do bando e comportamento imprevisível.
As operações de fiscalização e captura continuarão nos próximos dias. Técnicos avaliam estratégias menos lesivas, priorizando tranquilização ou contenção quando possível, mas reconhecem a complexidade do cenário: o bem-estar das comunidades e do próprio animal estão em jogo, e soluções permanentes dependem de políticas de manejo de território que preservem corredores naturais e minimizem a colisão entre modos de vida.
Enquanto isso, as vilas afetadas tentam recompor a rotina entre medo e resistência. É nesses momentos que se revela a urgência de semear políticas públicas que iluminem novos caminhos para a convivência entre espécies — um esforço coletivo para proteger vidas humanas e conservar a presença magnífica dos elefantes nas florestas.
Atualização: as buscas seguem ativas e as autoridades locais prometem divulgar novos comunicados assim que houver confirmação sobre o paradeiro do animal.






















