Por Aurora Bellini — Em um gesto firme que acende um debate sobre ética e bem-estar animal, o prefeito de Bacoli, Josi Gerardo Della Ragione, impediu a montagem de um circo que anunciava apresentações com animais e puniu a divulgação irregular do espetáculo. A ação, apoiada por boa parte da comunidade local, combina fiscalização urbana com uma resposta prática às questões de proteção animal.
Segundo o próprio prefeito, um circo autointitulado “Il Colosso com 100 animais” chegou às proximidades de Bacoli e passou a espalhar, de forma não autorizada, manifestos abusivos pela cidade. Para o gestor, era inaceitável permitir tanto a exibição do que chamou de “espetacularização do sofrimento” quanto a propaganda irregular que promove esse tipo de entretenimento.
Com o apoio da guarda municipal, a administração local agiu para retirar e destruir os cartazes espalhados e aplicar multas significativas aos responsáveis. Em uma decisão carregada de simbolismo prático, o prefeito anunciou que os recursos provenientes das sanções serão integralmente destinados ao cuidado de animais de rua do município: “Usaremos o dinheiro deste ‘Colosso’ para ajudar nossos afetuosos cães de rua”, declarou à redação da Espresso Italia.
O episódio ganhou ainda maior sensibilidade diante da lembrança de um acidente recente envolvendo o Circo Royal, ocorrido em Sant’Anastasia, quando o artista Christian Quezada Vasquez perdeu a vida durante a execução do chamado “globo da morte”. A tragédia segue sob investigação, e reverbera na opinião pública sobre os riscos e a responsabilidade em torno dos espetáculos circenses.
É importante, porém, esclarecer o quadro jurídico. Conforme explicou à Espresso Italia a advogada animalista Giada Bernardi, fundadora do escritório GiustiziAnimale, “a legislação atual não autoriza o prefeito a proibir, de forma genérica, o acampamento de circos com animais em seu território”. Ainda assim, Bernardi aponta que um gestor municipal pode adotar medidas administrativas e de fiscalização — por exemplo, coibir anúncios ilegais, exigir condições sanitárias e de segurança e aplicar sanções por infrações urbanísticas.
A discussão política permanece viva: há propostas legislativas visando proibir por completo os circos com animais, mas parte dessas iniciativas está estagnada no parlamento. Enquanto a lei nacional não muda, prefeitos como o de Bacoli buscam caminhos locais para limitar práticas que consideram degradantes, ao mesmo tempo em que transformam sanções em benefícios concretos para animais abandonados.
Neste quadro, a decisão de multar por manifestos abusivos e destinar os valores arrecadados ao cuidado de animais de rua revela uma lógica prática e simbólica: transformar uma invasão publicitária e um conforto arcaico em recursos que iluminem caminhos de proteção e cuidado. É, de certa forma, semear inovação social a partir de uma intervenção municipal — uma ação pequena em escala, mas com efeito direto sobre o bem-estar local.
Enquanto o debate legal segue e novas propostas tramitam, a comunidade de Bacoli observa com atenção. A iniciativa do prefeito abre uma janela sobre como políticas locais podem cultivar valores contemporâneos, protegendo seres vulneráveis e fortalecendo laços sociais numa paisagem urbana que pede um horizonte mais límpido e compassivo.






















