Por Aurora Bellini — Entre raios de esperança e nuvens de preocupação, a história das balenas francas do Atlântico Norte ( Eubalaena glacialis ) continua a nos ensinar sobre fragilidade e resistência. Pesquisas recentes mostram um número maior de nascimentos na costa leste dos Estados Unidos, mas a população ainda está muito aquém do necessário para garantir a sobrevivência da espécie.
Segundo os dados mais recentes da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), foram identificados 15 novos filhotes nesta temporada de reprodução — acima dos 11 registrados no ano anterior, um sinal positivo numa trajetória que, lentamente, aponta para a recuperação. Ainda assim, esse número está bem abaixo da meta mínima de 50 filhotes por ano que os cientistas consideram necessária para estabilizar a população.
Hoje estima-se que existam cerca de 384 exemplares de balena franca no Atlântico Norte — um total maior que algumas estimativas anteriores da IUCN, que apontavam números ainda mais baixos, mas que permanece alarmantemente reduzido. Mesmo com um crescimento percentual de aproximadamente 7% em relação a 2020, a trajetória demográfica revela que qualquer progresso é frágil: as pequenas melhoras importam, mas exigem alinhamento de políticas públicas, proteção efetiva e ações locais para florescerem.
As ameaças que impedem esse renascimento são conhecidas e persistentes: as capturas acidentais em operações de pesca e as colisões com embarcações continuam a ser as principais causas de mortes evitáveis. Depois do horror das décadas de caça comercial, hoje as baleias enfrentam obstáculos modernos — redes, linhas, hélices e rotas marítimas congestionadas. A comunidade científica alerta que, sem medidas firmes para reduzir esses riscos, a espécie pode voltar a recuar até um ponto irreversível.
Nas decisões de proteção, no entanto, nem sempre há sintonia. Recentes movimentações políticas nos Estados Unidos indicam retrocessos ou reticências em fortalecer normas que reduziriam as colisões acidentais — uma contradição dolorosa quando a luz do progresso biológico começa a brilhar. A conservação requer não apenas dados, mas também coragem política e planejamento que proteja os berçários marinhos onde as fêmeas dão à luz e amamentam seus filhotes.
Como curadora de progresso que observa o equilíbrio entre ação e legado, vejo nesta história tanto a urgência quanto a possibilidade de semear mudança. Podemos, com tecnologia, consciência e políticas bem desenhadas, reduzir as enredações e desacelerar o tráfego onde as balenas francas mais precisam de segurança. Medidas como áreas de exclusão temporária, limites de velocidade para embarcações e equipamentos de pesca menos danosos são ferramentas reais, testadas e eficazes.
O crescimento de filhotes é uma luz que nos convida a agir: iluminar caminhos para que essas criaturas continuem a nascer e a integrar os ciclos do oceano. Não é apenas uma questão de preservar uma espécie; é cultivar um legado natural, um horizonte límpido para gerações futuras. A biologia nos dá sinais de vida — cabe à sociedade, aos tomadores de decisão e aos usuários do mar responderem com políticas e práticas que transformem esperança em recuperação sustentável.































