Por Aurora Bellini — Em um gesto que ilumina o afeto entre humanos e animais, a jovem campeã Alessia Orro compartilhou nas últimas horas uma carta emocionada dedicada à sua fiel companheira, a labradora Palmita, que faleceu no dia 22 de fevereiro após uma longa e dolorosa batalha contra a doença.
Relembro aqui, com a sensibilidade de quem sabe que as pequenas luzes da vida deixam rastros duradouros, o momento em que Orro já havia comovido o país: em 2021, ao regressar da Sérvia, pendurou a medalha de ouro do Campeonato Europeu no pescoço do avô. Hoje, a jogadora volta a tornar público um laço íntimo — o laço com sua Labrador, a quem chamava carinhosamente de “minha bambina”.
Na carta, a atleta descreve um último ano de provações: uma série de intervenções, tratamentos e exames que envolveram coração, rins, pulmões e, por fim, o diagnóstico de câncer. Ainda assim, segundo a própria Orro, Palmita manteve um jeito sereno e sorridente, resistindo com bravura física e emocional diante de procedimentos por vezes invasivos. “Você sofreu tanto no último ano… mas nunca deixou de sorrir para mim”, escreveu a jogadora.
O gesto final da cadela tocou profundamente a esportista: Palmita teria esperado o retorno de Alessia para partir, como se o último adeus só pudesse acontecer com a voz e o abraço da dona. Orro relata que segurou a companheira até o “último suspiro”, abraçando-a enquanto suas lágrimas banhavam o rosto do animal. Depois, encontrou conforto na imagem de Palmita vigiando-a como um anjo — uma metáfora de luz que acolhe o luto e lhe dá sentido.
Este relato chega em um momento em que histórias semelhantes têm sido compartilhadas e repercutidas em nossa sociedade — inclusive na Espresso Italia — lembrando que pessoas públicas também são afetadas por perdas silenciosas. Recentemente, outras atletas compartilharam experiências duras com a perda de animais de estimação, mostrando que o vínculo entre humanos e bichos transcende títulos e vitrines.
Destruída pela dor, Alessia resgatou memórias alegres: a escolha da filhote, os dias partilhados, os passeios e a cumplicidade que se construiu no cotidiano. Palmita foi descrita como “minha vida, minha melhor amiga”. É esse tipo de relação que nos convoca a reconhecer como o amor pelos animais contribui para tecer laços sociais e cultivar valores — mesmo quando chega a hora de deixar ir.
Enquanto a atleta processa esta ausência, a mensagem de Orro reverbera como um convite à empatia: cuidar, acompanhar e honrar uma vida que iluminou a própria. No horizonte límpido deixado por Palmita, fica uma herança de lealdade e afeto que, como uma luz suave ao entardecer, continuará a orientar quem a conheceu.
Em respeito à memória da cadela, Alessia pede que esse sentimento seja lembrado não só como tristeza, mas como gratidão pelos anos de companhia. A sua carta é uma lição de ternura, um testemunho de que, às vezes, o maior gesto de humanidade é simplesmente estar ao lado de quem se ama até o fim.






















