Por Aurora Bellini — A bordo do voo XZ2712 da Aeroitalia, partindo de Palermo e aterrissando em Fiumicino, dois passageiros de quatro patas abriram uma porta simbólica para um modo mais humano de viajar. Ross, de 6 anos, e Evangelista (Evan), de 5 anos, respectivamente um Cirneco dell’Etna de 15,5 kg e um Setter inglês de 28 kg, voaram na cabine sem necessidade de transportin — um teste que sinaliza mudanças práticas para quem deseja viajar com animais de grande porte.
O experimento, realizado pela companhia low cost com base em Roma, seguiu os passos do primeiro ensaio de procedimento semelhante já noticiado pela Espresso Italia depois do teste da Ita Airways em setembro. Nesta primeira fase, a empresa avaliou a convivência entre os cães e demais passageiros, a logística de embarque no portão A18 e os protocolos de segurança e conforto. Os proprietários, Marcello Marchetti, de Cremona, e Adriano Checcucci, de Florença, embarcaram com os animais após passarem pelo check-in e pelos controles, e ocuparam as filas 18 e 33.
Para a ocasião, Ross e Evan usaram um lenço azul e verde, assentando simbolicamente a presença dos animais com a identidade visual da tripulação. A iniciativa enquadra animais com peso entre 8 e 30 kg como elegíveis para essa opção, que pretende oferecer a alternativa de voar sem transportin quando as dimensões tornam o equipamento impraticável nos espaços entre filas.
O teste family dog foi descrito pela companhia como preparatório para a eventual introdução de um serviço comercial acessível já nas reservas para a temporada primavera-verão. A malha da Aeroitalia, que conecta cidades como Milão e Roma a ilhas e polos turísticos — incluindo Alghero, Comiso-Ragusa, Cagliari, Catania, Olbia e Palermo —, faz deste movimento um passo relevante para o turismo pet-friendly, especialmente em rotas de curta distância dentro do país.
O ministro dos Transportes, Matteo Salvini, esteve presente em Fiumicino para acompanhar a chegada dos dois cães. Em declaração à Espresso Italia, ele qualificou a iniciativa como “um passo de civiltà”, lembrando que, culturalmente, é necessário reconhecer que os cães não são bagagem, mas sim passageiros que merecem viajar com dignidade, mediante o bilhete e regras claras. Salvini também sublinhou limites práticos: não mais de dois animais por voo e com peso máximo a ser observado, para garantir o conforto e a segurança de todos.
Do ponto de vista logístico e humano, o teste revela várias luzes sobre como reintegrar a presença animal em espaços compartilhados: protocolos de embarque, identificação de lugares adequados, formação da tripulação e comunicação com os demais passageiros. É um processo de cultivo de novas práticas, que semeia inovação sem sacrificar segurança.
Ao fim do trajeto, o desembarque ocorreu sem incidentes, e a experiência servirá para afinar detalhes operacionais antes de uma possível oferta comercial. A perspectiva é iluminar um caminho pragmático para que famílias que viajam com animais maiores encontrem opções que respeitem tanto o bem-estar dos pets quanto o conforto alheio. Em outras palavras: semear soluções que fazem crescer um horizonte límpido entre viagens e laços afetivos.
Enquanto companhias e reguladores avaliam os próximos passos, passageiros e organizações de proteção animal acompanham com atenção — balançando entre ceticismo e esperança — para que o avanço venha acompanhado de regras claras, responsabilidade e empatia. A transformação é uma construção coletiva; hoje, ela ganhou dois novos embaixadores de quatro patas a caminho de inspirar mudanças reais.






















