O ano de 2025 ficará marcado, para quem cultiva um olhar atento sobre a vida não humana e a proteção ambiental, por perdas que ressoam como faróis apagados — e ao mesmo tempo por sinais de renovação. Em primeiro plano, lembramos com respeito a partida de Brigitte Bardot, cujo percurso artístico deu passagem a uma segunda vida dedicada à causa animal. Ícone do cinema e mulher de forte personalidade, Bardot escolheu, desde os anos 1970, converter sua imagem pública em plataforma de defesa de quem não tem voz, antecipando debates que hoje já permeiam consciências sociais.
Também nos despedimos de Jane Goodall, cuja trajetória científica e humana mudou para sempre a maneira como compreendemos os primatas e a nós mesmos. Goodall viveu entre chimpanzés no coração da África, transformando observação empática em ciência e em ativismo. Sua vida ensinou que a pesquisa, quando movida pela sensibilidade, ilumina caminhos inéditos para a conservação e para o respeito à vida selvagem.
Ao trio de perdas somou-se a ausência de Fulco Pratesi, fundador do WWF Itália, figura central para a institucionalização do ambientalismo no país. Ativista, parlamentar e exemplo de liderança serena e determinada, Pratesi deixa uma obra concreta — centenas de oases, políticas públicas e uma conscientização ambiental mais firme no debate público italiano.
Essas partidas são um lembrete de que pessoas singularmente comprometidas conseguem semear mudanças duradouras. Bardot, Goodall e Pratesi não apenas defenderam causas; transformaram culturas, ampliaram o conceito de dignidade animal e ajudaram a inserir esses temas nas prioridades coletivas. Mesmo diante dos retrocessos, a semente que plantaram segue crescendo, nutrida por ações e políticas que continuam a emergir.
Para nós da Espresso Italia, 2025 foi também um ano de avanço editorial. O espaço dedicado aos temas animais, que acolhe histórias de ciência, conservação e convivência entre seres humanos e outras espécies, passou por um restyling significativo. O Corriere Animali — agora reinterpretado sob a lente da nossa curadoria — ganhou nova arquitetura, seções ampliadas e uma profundidade editorial que refletirá, em 2026, duas décadas de presença nesse diálogo essencial.
Ao olhar para 2026, quando celebramos 20 anos desse projeto de comunicação, percebemos um horizonte límpido: é tempo de consolidar práticas jornalísticas que iluminem soluções, fomentem políticas públicas e celebrem iniciativas locais e globais. Precisamos tecer laços entre ciência, cidadania e ética empresarial, cultivando valores que resguardem a biodiversidade e promovam o bem-estar animal.
Em memória dos que partiram e em homenagem ao legado que deixaram, seguiremos a missão de contar histórias que inspiram respeito e ação. A perda é dolorosa, mas a luz do compromisso coletivo — alimentada por pessoas e instituições dedicadas — continua a revelar novos caminhos. Salve este artigo para lê-lo quando quiser: a newsletter “Animais” da Espresso Italia reúne semanalmente reportagens e reflexões sobre conservação, pesquisa e convivência entre espécies.
Que 2026 seja um ano de renovação prática: mais políticas efetivas, mais santuários reais, mais educação que conecte corações e mentes. Cultivar esse futuro é uma tarefa de todos — e essa é a promessa que mantemos, com esperança fundamentada e visão ativa.






















