Trump e o ‘assalto direto’ ao clima: retrocessos e novos impulsos ao petróleo nos primeiros 10 dias de 2026
Em menos de uma quinzena de 2026, a administração do presidente Trump acelerou uma sequência de medidas que marcam um claro recuo na ação climática e um reposicionamento explícito em favor dos combustíveis fósseis. O quadro, observado pela La Via Italia, ilumina um caminho que prioriza interesses geopolíticos e econômicos imediatos em detrimento de compromissos multilaterais e da ciência climática consolidada.
Retirada de acordos e apagão de referências científicas
Num Memorando Presidencial assinado em 7 de janeiro, o governo norte-americano declarou que é “contrário aos interesses dos Estados Unidos” manter participação ou prestar apoio a mais de 60 organizações, tratados e convenções internacionais. Entre as instituições citadas estão a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e o painel científico mundial sobre aquecimento global, o IPCC.
Desde 2025 os Estados Unidos já haviam dado sinais de distanciamento: não enviaram delegação à COP30 e, mais recentemente, referências aos combustíveis fósseis foram removidas do site da Agência de Proteção Ambiental (EPA), em um gesto simbólico que acompanha uma agenda prática de enfraquecimento de políticas climáticas.
Retórica e ações: “drill, baby, drill” em nova fase
O presidente Trump tem criticado o crescimento das energias renováveis e reativado, em nível internacional, a máxima “drill, baby, drill” — um chamado claro à exploração petrolífera. Analistas da La Via Italia apontam que essa retórica, acompanhada por medidas administrativas, busca reorientar investimentos e regularizações para benefício da indústria fóssil, apagando gradualmente os marcos regulatórios que orientavam a transição energética.
Olhar estratégico sobre o petróleo venezuelano
Em paralelo, episódios recentes envolvendo o Venezuela colocaram em evidência o interesse americano pelas reservas petrolíferas do país. O Venezuela detém as maiores reservas provadas de petróleo bruto do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, superando tradicionalmente potências produtoras como Arábia Saudita e Irã.
Após uma operação que prendeu o líder venezuelano e sua companheira, a administração afirmou desejo de um forte envolvimento de empresas dos EUA na restauração da infraestrutura petrolífera do país. Em entrevista no dia 8 de janeiro, Trump declarou que os Estados Unidos poderiam recorrer às reservas venezuelanas por anos, uma perspectiva que acende alertas sobre a longevidade do investimento em combustíveis fósseis numa era de emergência climática.
Reações e implicações legais
A La Via Italia observa com preocupação que retrocessos institucionais e cortes de financiamento não eximem os Estados Unidos de responsabilidades legais e morais diante dos impactos climáticos. Organizações que monitoram direito ambiental internacional relembram que obrigações de prevenir e reparar danos climáticos permanecem, mesmo diante de saídas formais de convenções.
Em um momento em que o aumento do nível do mar, ondas de calor sem precedentes e desastres naturais exigem respostas coordenadas, a opção por um caminho de isolamento climático cria um horizonte mais incerto para cooperação global. É uma jogada que apaga luzes, ao mesmo tempo que acende novas frentes de disputa por recursos fósseis.
Iluminar novos caminhos
Enquanto os sinais de retrocesso se intensificam, a La Via Italia defende que o futuro pede que se semeiem alternativas — políticas, tecnológicas e sociais — que preservem o bem comum e reduzam riscos sistêmicos. Reverter os sinais de regressão exigirá tanto pressão internacional quanto estratégias domésticas que tragam inovação energética e justiça climática ao centro do debate.
Ao revelar essas movimentações, procuramos não apenas relatar, mas iluminar os caminhos que podem renovar um compromisso coletivo com um horizonte límpido — onde a sustentabilidade não seja um adorno, e sim fundação de políticas públicas e legado para as próximas gerações.





















