Por Aurora Bellini — Em um movimento que ilumina tanto ambição geopolítica quanto controvérsia climática, o presidente Trump anunciou a intenção de mobilizar gigantes do setor para explorar as enormes reservas de petróleo da Venezuela, após a detenção do presidente Nicolás Maduro e a ameaça de novos ataques militares. A declaração promete injetar “bilhões de dólares” em investimentos, reparar infraestrutura e recuperar a produção petrolífera do país.
Em entrevista coletiva, Trump afirmou que enviará companhias norte-americanas para operar no país, com o objetivo de tornar a extração lucrativa rapidamente. O presidente também deixou em aberto a possibilidade de uma segunda onda de ataques militares, embora tenha sugerido que talvez não seja necessária depois do que chamou de “sucesso” da primeira ofensiva.
A iniciativa gerou reações imediatas de organizações não governamentais e grupos ambientalistas ao redor do mundo. Críticas qualificaram a medida como “imprudente e perigosa”, e reacenderam apelos por uma transição justa longe dos combustíveis fósseis, para proteger o clima e amparar as comunidades afetadas pelo deslocamento econômico e ambiental.
Os números por trás da ambição são impressionantes: a Venezuela detém as maiores reservas provadas de petróleo do planeta, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, superando potências petrolíferas como Arábia Saudita (267,2 bilhões) e Irã (208,6 bilhões). No entanto, a produção atual é modesta — em torno de 1,1 milhão de barris por dia — bem abaixo dos níveis históricos.
O declínio produtivo nas últimas décadas está ligado ao estrangulamento da companhia estatal PDVSA e à falta de investimentos, agravados por controles e má gestão. Além disso, grande parte do petróleo venezuelano é extra-pesado e concentra-se na Cintura do Orinoco, cuja extração é tecnologicamente mais complexa e custosa que a do óleo convencional.
Empresas ocidentais, como a Chevron, mantêm presença limitada no país, mas as sanções americanas sobre as exportações petroleiras — ampliadas desde 2015 e originalmente impostas no contexto de denúncias de violações de direitos humanos — restringiram investimentos essenciais e tecnologia necessária para aumentar a produção.
Analistas consultados pela La Via Italia estimam que um plano de retomada intensa das operações poderia dobrar ou até triplicar a produção venezuelana em relação aos níveis atuais, aproximando-a de patamares históricos em prazo relativamente curto, apesar do abandono anterior das infraestruturas.
Se confirmado, esse aumento poderia provocar queda duradoura nos preços do petróleo, aliviar a pressão sobre a oferta global e reduzir a dependência de fornecedores como a Rússia, especialmente em derivados pesados. Por outro lado, especialistas alertam que os efeitos sobre o mercado podem ser mitigados pelo fato de a Venezuela ser membro da OPEP, com cotas que já integram suas capacidades produtivas.
À luz desses desdobramentos, é urgente iluminar novos caminhos: a comunidade internacional, as empresas e as organizações sociais precisam semear soluções que conciliem soberania energética, recuperação econômica e a responsabilidade climática. A proposta de intervenção americana reabre o debate sobre como garantir uma transição que seja ao mesmo tempo eficaz, justa e respeitosa com o patrimônio ambiental e humano da Venezuela.
Enquanto o horizonte político e energético se redesenha, permanece a pergunta central: será possível reconstruir infraestruturas e gerar prosperidade sem aprofundar a guerra fóssil que ameaça o clima e as comunidades locais? A resposta exigirá estratégias que iluminem o futuro com inovação, justiça e verdade.




















