Por Aurora Bellini — As mais recentes imagens de satélite lançam luz sobre a gravidade das chuvas que varreram a Península Ibérica no início de 2026. Em registros divulgados à Espresso Italia, a Agência Espacial Europeia (ESA) expôs, com clareza técnica e impacto visual, a extensão das inundações que afetaram sobretudo o Portugal e o sul da Espanha durante as tempestades Kristin, Leonardo e Marta.
As imagens do programa Copernicus, obtidas pelo satélite Copernicus Sentinel-1, mostram em tons realçados as áreas alagadas ao longo do rio Tejo e do seu vasto bacia hidrográfica, a nordeste de Lisboa. Em uma sobreposição entre uma captura de 27 de dezembro e outra de 7 de fevereiro é possível perceber o aumento nítido dos níveis de água — um registro que ilumina, de forma direta, o avanço das águas sobre terras agrícolas, vias e bairros ribeirinhos.
Em comunicado à Espresso Italia, a ESA completou o panorama com dados da missão Global Precipitation Measurement (GPM), uma rede internacional de satélites que monitora chuva e neve. Um mapa de acumulação de precipitação referente ao período de 1º a 7 de fevereiro evidencia onde as precipitações se concentraram, sustentando o diagnóstico de chuvas excepcionais que, somadas ao solo já saturado, favoreceram eventos de cheia generalizados.
As imagens destacam, em particular, a cidade de Alcácer do Sal e o entorno do rio Tejo, zonas fortemente impactadas. Autoridades portuguesas declararam estado de calamidade até meados de fevereiro, enquanto operações de emergência mobilizaram recursos terrestres e humanos para proteger populações e infraestrutura. Só na região de Coimbra, cerca de 3.000 pessoas foram evacuadas em uma noite, diante do risco de colapso das barragens no vale do rio Mondego.
Ver a paisagem inundada através dos olhos da órbita é um lembrete potente de que os eventos climáticos extremos se manifestam em escalas locais e regionais, mas deixam rastros que podemos mapear e, por isso, melhor gerenciar. As imagens do Sentinel-1 e dos satélites GPM funcionam como lâmpadas que iluminam caminhos possíveis para a resposta rápida e para o planejamento a médio e longo prazo: zonas que precisam de obras de proteção, corredores de evacuação mais seguros, e um olhar integrado sobre bacias hidrográficas.
Enquanto equipes de resgate trabalham para devolver segurança às comunidades, esta sequência de imagens espaciais também semeia conhecimento. Ao traduzir chuva em pixels e inundação em mapas comparativos, as missões de observação da Terra nos oferecem instrumentos para semear inovação nas políticas públicas e nos sistemas de alerta — um esforço coletivo que visa proteger vidas e preservar patrimônios.
Portugal, que enfrenta um quadro de precipitações sem precedentes, encara agora o desafio de recuperar territórios e reputações ambientais com resiliência. Revelar estes dados ao público é parte do processo de cura e de reconstrução: a transparência e a ciência ajudam a iluminar novos caminhos para uma convivência mais segura com a força das águas.






















