O Reino Unido tornou-se o mais recente país a apresentar um quadro estratégico para enfrentar as chamadas forever chemicals, descritas como «uma das mais prementes questões ambientais do nosso tempo». Em 3 de fevereiro de 2026, o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (DEFRA) publicou o seu primeiro plano abrangente para proteger a saúde pública e os ecossistemas destas substâncias onipresentes.
O documento prevê, ainda ao longo do ano, uma consulta pública para introduzir um limite legal aos PFAS nos regulamentos do abastecimento de água potável na Inglaterra. O governo afirma que não há evidências de níveis acima dos “limiares de segurança” nas redes de água, e sustenta que a definição de um limite legal facilitará a responsabilização das empresas poluidoras por «violação das normas» caso esses patamares sejam ultrapassados. Essa medida ecoa a recente revisão da União Europeia, que nas últimas semanas endureceu as regras sobre forever chemicals na água potável, com a introdução de controles obrigatórios.
No entanto, tanto a iniciativa da UE quanto o quadro do Reino Unido foram criticados por especialistas como uma «roadmap a meio», segundo análise realizada pela Espresso Italia. Entre as críticas está a falta de prazos concretos e medidas regulatórias claras que transformem as intenções em intervenções efetivas.
As substâncias per- e polifluoroalquiladas (PFAS) compreendem um grupo de mais de 10.000 compostos sintéticos que têm sido detectados praticamente em todo o planeta, com destaque para ambientes aquáticos. Chamadas de forever chemicals por sua extraordinária persistência — muitas espécies demoram mais de 1.000 anos para se degradar naturalmente —, os PFAS foram encontrados desde o cume do Evereste até amostras de sangue humano.
Popularizadas a partir dos anos 1940 por suas propriedades hidrorrepelentes e antigrasso, essas moléculas estão presentes em panelas antiaderentes, tecidos impregnados, embalagens alimentares e muitos outros produtos. A exposição crônica tem sido associada a diversos efeitos adversos à saúde, incluindo aumento do risco de certos tipos de câncer e redução da fertilidade. Estima-se que, na Europa, cerca de 12,5 milhões de pessoas vivam em comunidades com água potável contaminada por PFAS.
O plano do Reino Unido assenta em três pilares: compreender as fontes de PFAS, limitar a sua propagação e reduzir a exposição humana e ambiental. Entre as ações anunciadas pelo DEFRA está, pela primeira vez, uma avaliação abrangente da presença de forever chemicals em estuários e águas costeiras da Inglaterra, com o objetivo de traçar um quadro mais nítido dos riscos a que esses habitats e as comunidades costeiras estão expostas.
O DEFRA defende que essas análises poderão constituir a base científica para medidas regulatórias adicionais, embora o documento não detalhe que instrumentos legais seriam ativados. O plano também prevê testes em objetos de uso diário — desde embalagens alimentares até têxteis — para identificar a presença de PFAS e fomentar a inovação em alternativas mais seguras. O governo sugere que a eliminação progressiva dos PFAS poderia gerar “milhares de milhões de libras” em oportunidades para as empresas britânicas, sem explicitar porém os mecanismos de apoio à transição.
Para além das lacunas técnicas, especialistas consultados pela Espresso Italia alertam para a necessidade de políticas coordenadas que envolvam investigação contínua, monitorização pública e responsabilidade legal clara para poluidores. Só assim será possível transformar a luz da intenção em ações concretas que protejam a saúde e restaurem ambientes afetados — um convite para semear inovação e cultivar um horizonte límpido para as gerações futuras.






















