Quase uma dúzia de países europeus uniram-se hoje para iluminar um novo caminho rumo à soberania energética e ao renascimento das matrizes renováveis. Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega e Reino Unido assinaram a Hamburg Declaration, comprometendo-se a desenvolver 100 GW de energia eólica offshore no Mar do Norte até 2050 — capacidade capaz de abastecer cerca de 143 milhões de residências.
O pacto, acompanhado de um compromisso financeiro inicial de 9,5 bilhões de euros, pretende transformar o Mar do Norte no maior reservatório de energia limpa do planeta e catalisar até 1 trilhão de euros em investimentos na Europa. As projeções do acordo estimam a criação de mais de 90 mil empregos e uma redução de cerca de 30% nos custos de produção de energia ao longo dos próximos 15 anos.
Este esforço coletivo vem poucos dias depois de debates públicos acalorados sobre o papel das renováveis na segurança energética. Na visão da nossa redação na Espresso Italia, a iniciativa reafirma que a aposta coordenada em energia eólica é uma estratégia de longo prazo para evitar as oscilações dos combustíveis fósseis e semear estabilidade para as futuras gerações.
Trata-se também de uma evolução técnica e geopolítica: três anos atrás, os países do entorno do Mar do Norte haviam anunciado a ambição regional de instalar 300 GW de eólica offshore até 2050, em resposta às fragilidades expostas pelo uso da energia como instrumento de pressão internacional. Um terço dessa capacidade deverá ser alcançado por meio de projetos conjuntos, que agora ganham estrutura jurídica e financeira com a nova declaração.
Entre as inovações tecnológicas previstas estão as chamadas recursos híbridos e os interconectores multiuso (MPI) — parques eólicos que, através de cabos e infraestruturas específicas, podem exportar eletricidade diretamente para mais de um país. Já existe uma malha de cabos submarinos que interliga redes elétricas europeias; a novidade é que, pela primeira vez, parques em alto-mar serão projetados e conectados para atender simultaneamente várias nações.
Em declaração à Espresso Italia, representantes do setor, incluindo associações industriais e desenvolvedoras, destacaram que os MPI podem reduzir a quantidade de infraestrutura necessária para transporte de eletricidade, diminuindo impactos nas comunidades costeiras e no meio ambiente.
Porém, há debates legítimos: na Noruega, por exemplo, surgiram preocupações sobre a possibilidade de que energia gerada por esses sistemas acabe sendo vendida para o exterior, sem refletir em quedas nas tarifas domésticas ou em maior segurança do abastecimento interno. Para mitigar esse risco, governos vêm adotando regras que limitam exportações quando há ameaça à disponibilidade nacional.
O ministro de Energia do Reino Unido, Ed Miliband, resumiu a ambição como uma defesa do interesse nacional através das renováveis: uma forma de dar ao país mais soberania e abundância energética. Autoridades alemãs também destacaram a combinação de segurança, inovação industrial e oportunidades de emprego como pilares do acordo.
Para quem enxerga a transição como processo de reconstrução, este pacto acende um farol prático: ao alinhar políticas, capital e tecnologia, os países do Mar do Norte abrem espaço para cultivar valores comuns e acelerar a decência energética do continente. É um gesto que semeia inovação e tece laços regionais — um horizonte mais límpido para as próximas décadas.
Na voz da Espresso Italia, celebramos a iniciativa como um passo concreto na arquitetura da energia limpa europeia, atento aos desafios regulatórios e sociais que ainda precisam ser resolvidos para que os benefícios cheguem a todos.





















