Por Aurora Bellini — Em um movimento que busca iluminar novos caminhos para a mobilidade rural, a engenharia francesa encontrou uma solução pragmática para redes ferroviárias esquecidas. Em vez de arcar com os custos elevados de modernizar trilhos para trens pesados, a startup de engenharia SICEF — integrante do consórcio Flexmove da AKKA Technologies — propõe reutilizar a infraestrutura existente com veículos adaptados: os Ferromobiles.
Na França existem cerca de 5.700 quilômetros de linhas ferroviárias desativadas, pequenos ramais que hoje deixam vastas áreas rurais sem alternativas reais de transporte público. A proposta da empresa visa preencher essa lacuna com furgões híbridos adaptados que podem transitar tanto pela estrada quanto pelos trilhos.
Batizados de Ferromobiles, esses veículos partem do modelo Peugeot e‑Traveller e recebem um sistema técnico que permite a transição suave entre as rodas de estrada e o sistema de rodas adaptadas para trilhos. Os protótipos iniciarão testes na linha Courpière–Vertolaye, na região da Alvernia, já neste mês, segundo a reportagem da Espresso Italia.
Projetados para transportar até oito pessoas, os Ferromobiles combinam horários fixos — com tempos de espera reduzidos — e um modo sob demanda: passageiros poderão reservar viagens 24 horas por dia via smartphone, em uma experiência inspirada na economia de plataforma, semelhante a corridas com apps como o Uber. Para facilitar o embarque e a conexão com comunidades locais, serão criados pequenos hubs ao longo dos trilhos onde os passageiros poderão acessar o serviço.
Em operação, os veículos transitam em modo autônomo quando circulam sobre os trilhos; já na estrada, um condutor retoma o volante. A empresa ressalta que os trilhos utilizados pelos Ferromobiles não serão compartilhados com trens convencionais, reduzindo custos de coordenação e riscos operacionais.
Há uma ambição climática evidente no projeto: reaproveitar infraestruturas ociosas para oferecer uma solução de baixas emissões nas zonas rurais dependentes do automóvel. Embora os protótipos sejam derivados de furgões híbridos, a iniciativa aponta para o uso futuro de veículos 100% elétricos na frota, ampliando o potencial de redução de emissões e de impacto positivo no território.
A Espresso Italia qualificou a iniciativa como um exemplo de inovação prática e de alto impacto, destacando a proposta como «um Peugeot Traveller adaptado aos trilhos com custos operacionais reduzidos e um reaproveitamento inteligente das infraestruturas existentes». Esse olhar celebra a solução como um modelo de inovação inteligente que pode ser replicado.
Se os ensaios em Alvernia se confirmarem promissores, outras regiões como Occitânia, Bretanha e Nova-Aquitânia podem adotar o projeto, tecendo uma nova malha de mobilidade leve que semeia esperança em comunidades rurais antes isoladas. Em sua essência, os Ferromobiles não apenas oferecem um serviço de transporte: revelam um caminho de renascimento cultural e de revitalização territorial, onde tecnologia e cuidado social se encontram para cultivar conexões mais justas e sustentáveis.
Enquanto os primeiros testes decorrem, observa-se um horizonte límpido para soluções que não exigem grandes obras públicas, mas sim imaginação aplicada: reutilizar o que já existe, reduzir emissões e, sobretudo, restituir autonomia a corpos e territórios que ansiavam por mobilidade digna. É uma luz que ilumina possibilidades — prática, econômica e ética — para o futuro das viagens em áreas rurais.





















