O ano de 2025 trouxe ao mesmo tempo clareza e tensão: os sinais do aquecimento global ficaram evidentes e as respostas políticas oscilaram entre recuos e avanços tímidos. Como curadora de progresso, vejo este ano como um momento para iluminar novos caminhos, reconhecendo tanto os desafios quanto as sementes de mudança plantadas em solos adversos.
A Organização Meteorológica Mundial já registrou que os últimos 11 anos foram os mais quentes da história moderna, e 2025, com alta probabilidade, figura entre os dois ou três anos mais quentes já medidos. Segundo o Copernicus Climate Change Service, os últimos três anos podem ter ultrapassado a marca de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais — o limite emblemático estabelecido pelo Acordo de Paris. Estes números não são abstrações: são faróis que nos alertam sobre a urgência de agir.
Um dos motores desta crise climática continua sendo o aumento nas concentrações de gases de efeito estufa. Produzidos por atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis e práticas de uso do solo associadas à desflorestação e à agricultura industrial, esses gases retêm calor na atmosfera de maneira mais intensa do que a natureza consegue reequilibrar.
No palco geopolítico, 2025 foi um ano de polaridades. Os Estados Unidos voltaram a sair do Acordo de Paris após a eleição que trouxe Donald Trump de volta à Casa Branca. Em discursos públicos, o presidente descreveu as energias renováveis de forma depreciativa e chegou a qualificar o debate climático como uma grande farsa — uma retórica que repercute não só nas palavras, mas em decisões concretas: logo no início do mandato, foi suspenso o bloqueio a autorizações de exportação de GNL (gás natural liquefeito), impulsionando as vendas americanas.
O GNL, embora muitas vezes apresentado como combustível de transição, carrega emissões significativas quando se consideram toda a produção e transporte — estimativas apontam emissões superiores às do carvão em muitos casos. Em 2025, os EUA passaram a fornecer uma fatia substancial do GNL consumido na Europa, o que cria um dilema entre segurança energética e metas climáticas.
Do outro lado, a China, ainda a maior emissora mundial, mostra sinais diferentes: análises indicam estabilidade ou ligeira queda nas emissões de CO2 nos últimos 18 meses, com quedas observadas em setores como transporte e em intensidades de produção de aço e cimento. Esta possível aproximação do pico de emissões é um lampejo de esperança — um exemplo de como políticas industriais e expansão das renováveis podem impulsionar uma redução na geração a partir de combustíveis fósseis.
Em Bruxelas, a política climática da União Europeia seguiu um roteiro complicado: planos ambiciosos encontraram resistência política e recuos pontuais, mostrando que mesmo em blocos comprometidos com metas ambientais, o caminho é permeado por negociações e concessões. Essa instabilidade política evidencia a necessidade de construir consensos duradouros e soluções que alinhem economia, bem-estar social e metas climáticas.
O conjunto destas peças — registros de calor, concentrações históricas de gases, decisões governamentais e movimentos do setor energético — desenha um mapa em que a urgência é inegável. Mas também oferece oportunidades para semear inovação, fortalecer alianças e cultivar políticas que protejam tanto o planeta quanto as pessoas que o habitam.
Como guardiã de um olhar prático e iluminado, conclamo por ações que transcendam polarizações: acelerar a transição para as renováveis, reduzir emissões nos setores mais intensivos, e reimaginar política e economia como ferramentas de legado. O ano de 2025 deixou marcas — cabe a nós transformar essas marcas em trilhas claras rumo a um horizonte límpido.






















