O ano de 2025 ficou marcado por um choque político que abalou a trajetória da energia limpa nos Estados Unidos: decisões do governo federal favoreceram combustíveis poluentes e bloquearam projetos eólicos e solares. Ainda assim, ao iluminar esse cenário conturbado, especialistas consultados pela La Via Italia veem sinais de resistência e progresso que merecem atenção.
Em entrevistas com dezenas de desenvolvedores, especialistas e representantes políticos, ficou claro que 2025 foi um ano difícil — uma espécie de inverno político para as renováveis —, mas não um fim de caminho. Apesar das manchetes e das medidas federais que reduziram os incentivos, houve avanços concretos com novos projetos já conectados à rede elétrica e inovações tecnológicas que ajudam a esculpir um horizonte mais claro.
“Foi um ano muito duro para a energia limpa”, disse Jorge Vargas, construtor e operador solar, cofundador e CEO da Aspen Power. Vargas destaca o efeito imediato das decisões políticas, mas ressalta a resiliência do setor: “Detto isso, siamo un settore resiliente”.
Jose Luis Crespo, presidente da Plug Power, sintetiza o que está em jogo: a combinação entre recalibragem das políticas públicas e avanços tecnológicos vai moldar a trajetória das renováveis nos próximos anos. Em outras palavras, a política pode atrasar etapas, mas não apaga o impulso da inovação nem a necessidade crescente de eletricidade limpa.
Grande parte do destino do setor em 2025 esteve ligada à saída de Joe Biden da Casa Branca, que vinha sendo um dos principais defensores dos subsídios e das metas climáticas. O ano começou com maciços incentivos federais, um aumento de empresas americanas dispostas a produzir componentes e uma demanda vigorosa por parte de estados e corporações, segundo Tom Harper, parceiro da consultoria global Baringa. Ao final do ano, porém, muitas dessas estruturas foram desmobilizadas: subsídios cortados, cadeia de fornecimento enfraquecida, custos mais altos em função de tarifas e clientes que repensam seu compromisso com a transição.
O próprio presidente que conduziu a mudança chamou o solar e o eólico de “a grande farsa” e prometeu barrar novos projetos. O governo federal cancelou financiamentos de centenas de iniciativas e uma reforma tributária aprovada no Congresso reduziu drasticamente os incentivos previstos pela lei climática de 2022. Para analistas como Wayne Winegarden, do Pacific Research Institute, chegou a hora de as energias alternativas demonstrarem viabilidade econômica sem dependência exclusiva de subsídios — lembrando que os combustíveis fósseis também recebem apoio estatal.
Executivos do setor indicaram que essa mudança política reescreveu as regras do jogo: a economia dos projetos foi redesenhada, muitos empreendimentos adiaram ou aceleraram obras para aproveitar janelas de incentivos e desenvolvedores revisaram estratégias de compra e logística, segundo Lennart Hinrichs, que coordena a expansão da TWAICE na região. Essas adaptações mostram que o setor está aprendendo a se movimentar em solo mais instável.
Mesmo com cortes e incertezas, há motivos concretos para otimismo pragmático. A demanda por eletricidade segue em alta — impulsionada por data centers, eletrificação de transporte e necessidades industriais —, o que cria oportunidades para novas arquiteturas de energia: armazenamento, integração de redes e soluções híbridas (solar+armazenamento, eólico+hidrogênio). Esses são caminhos que podem semear inovação e restabelecer confiança no longo prazo.
Em última instância, 2025 não apagou a direção estratégica da transição energética, apenas revelou a necessidade de robustez: projetos mais resilientes, cadeias de suprimento diversificadas e modelos financeiros que resistam a ciclos políticos. É o momento de iluminar novos caminhos, cultivar alianças entre setor público e privado e assegurar que a transição seja também socialmente justa e economicamente viável.
Enquanto alguns ventos sopram contra, a capacidade de adaptação do setor — suas tecnologias, investidores e comunidades — continua a tecer os alicerces de um renascimento. A história da energia limpa em 2025 é, portanto, uma lição de resistência e aprendizado: nem uma derrota definitiva, nem um triunfo fácil, mas uma travessia que exige coragem estratégica e visão de longo prazo.






















