Por Marco Severini, Espresso Italia
Em uma declaração que mistura pragmatismo e apelo estratégico, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou estar disposto a encontrar-se com Vladimir Putin e empenhar-se por qualquer iniciativa que leve à paz. Em entrevista ao Sky News, Zelensky sublinhou que os Estados Unidos detêm uma capacidade decisiva para influenciar o desfecho do conflito, desde que intensifiquem a pressão sobre Moscou.
“Os Estados Unidos são ainda mais fortes do que imaginam. E eu realmente creio nisso. Podem exercer pressão sobre Putin. Podem deter esta guerra”, declarou o líder de Kiev, assinalando que a dinâmica político-eleitoral nos EUA — em particular as eleições intercalares — abre uma janela temporal sensível.
Zelensky avaliou que existe hoje uma oportunidade concreta de encerrar as hostilidades antes do outono, dependendo exclusivamente dos próximos meses: “Agora penso que temos uma chance. Depende destes meses, se teremos a possibilidade de pôr fim à guerra antes do outono. Antes das eleições, eleições importantes e influentes nos Estados Unidos. Se for possível alcançar a paz, a teremos, agora temos essa janela”.
Na linguagem do tabuleiro diplomático, trata-se de um movimento que visa forçar o adversário a recalcular: uma janela de oportunidade — frágil, mas real — que exige combinação de pressão política, sanções direcionadas e reforço militar estratégico. Nesse contexto, Zelensky apelou diretamente à administração de Washington para intensificar as medidas punitivas, propondo, em especial, um endurecimento das sanções dirigidas às famílias dos líderes russos, além do envio de armamento mais avançado à Ucrânia.
Segundo o presidente ucraniano, só uma pressão amplificada faria com que Moscou encare os negócios de paz com seriedade suficiente para negociar. Essa linha realista procura alinhar incentivos e custos, convertendo o peso das sanções e a capacidade de dissuasão em moeda de negociação.
Do ponto de vista estratégico, a proposta de Zelensky articula três pilares: prontidão para diálogo direto com Putin, dependência da alavanca política norte-americana e necessidade de reforço militar para sustentar qualquer processo de paz. É uma configuração que remete aos antigos princípios da Realpolitik — consolidar posição no campo para negociar a paz em termos favoráveis — e que, se bem executada, pode redesenhar linhas de influência no continente.
Permanece, porém, a questão do tempo e da credibilidade. A referida “janela” até o outono é curta; exige coordenação atlântica e sinais claros de custo para a cadeia decisória russa se quiser transformar intenção em resultado. Em outras palavras: o movimento está lançado no tabuleiro, mas os alicerces da diplomacia exigirão precisão e firmeza para que a jogada produza um xeque-mate duradouro.
Assino com cautela estratégica,
Marco Severini — Espresso Italia






















