Por Marco Severini, Espresso Italia — A era da neutralidade absoluta do mensageiro está em mutação. Depois de anos de boatos e correntes alarmistas sobre um eventual WhatsApp pago, a novidade se traduz agora em uma medida concreta e calculada: a introdução de publicidade dentro do aplicativo, acompanhada de uma alternativa por assinatura para quem desejar manter a interface livre de anúncios.
Fontes técnicas, entre elas os analistas do WABetaInfo, encontraram indícios dessa mudança na versão beta 2.26.3.9 para Android. O lançamento inicial será localizado: as primeiras implementações estão previstas para usuários na União Europeia e no Reino Unido, jurisdições onde a privacidade e as regras como o GDPR impõem canais claros para alternativas à profilação publicitária.
Importante dissociar pânico de política. As inserções não deverão interromper conversas privadas; segundo o que se apurou, a publicidade aparecerá em duas áreas delimitadas: os Status do WhatsApp e a seção de Canais, destinada a informação e transmissões em estilo broadcast. Em termos de arquitetura de interface, trata-se de uma solução para preservar a usabilidade do núcleo do serviço enquanto se abre um novo fluxo de receitas.
Para os que discordarem da troca — «gratidão por anúncios» — a Meta propõe uma via de saída: uma assinatura mensal. O valor detectado no código da aplicação é aproximadamente 4 euros por mês, cifra indicativa que pode sofrer ajustes finais, variações regionais ou mesmo ser incorporada em pacotes que incluam a versão sem anúncios do Facebook e do Instagram.
Do ponto de vista operacional, o pagamento deverá ser feito através dos mercados de aplicativos — Google Play e, presumivelmente, App Store — com um processo de ativação/desativação desenhado para ser rápido, estimado em cerca de 15 minutos. Em termos estratégicos, trata-se de uma aplicação do modelo já testado pelo grupo: «Pay or Consent» — mantenha a gratuidade cedendo à publicidade, ou pague para preservar a experiência.
Historicamente, há uma simetria interessante. No início da sua trajetória, o WhatsApp chegou a cobrar cerca de 0,89 euro por ano em Android ou um pagamento único no iPhone, cessando essa exigência de cobrança em 2016 para favorecer a expansão global. Hoje, uma década depois, o equilíbrio se redesenha: a publicidade converte-se no preço da gratuidade, enquanto a assinatura emerge como refúgio para quem privilegia privacidade e uma interface limpa.
Geopoliticamente, o movimento da Meta é um movimento de tabuleiro: otimizar receitas diretas sem romper com os alicerces regulatórios europeus, enquanto tenta manter a massa crítica de usuários. É uma jogada que reflete a tectônica de poder entre gigantes tecnológicos e regimes de proteção de dados — um redesenho de fronteiras invisíveis onde cada bandeira fiscal, regulatória e de experiência do usuário conta.
Resta acompanhar a confirmação oficial do cronograma e a eventual inclusão deste serviço em pacotes comerciais. Até lá, a escolha será uma questão clara de filosofia do usuário: aceitar a publicidade como moeda de acesso ou pagar por silêncio e privacidade.






















