Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, por ora, a geografia da pressão sobre centros urbanos ucranianos, a noite de 12 de fevereiro de 2026 registrou um ataque em larga escala lançado pelas forças russas contra alvos no território da Ucrânia. Segundo comunicado da força aérea ucraniana, foram lançados ao todo 219 drones e 24 mísseis balísticos, com impacto direto sobre a capital e cidades estratégicas do sul e do leste.
Os números humanos preliminares apontam para sete feridos distribuídos entre Kiev, Dnipro e Odessa. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, reportou que os impactos atingiram tanto edifícios residenciais quanto construções não residenciais, localizadas em ambas as margens do rio Dnipro. Na capital foram contabilizados dois feridos.
Em Dnipro, foram registrados quatro feridos, entre os quais um recém-nascido e uma criança de quatro anos, situação que realça o custo civil imediato dessas operações. Em Odessa uma pessoa ficou ferida após o ataque a um prédio residencial de nove andares.
Além das vítimas, o ataque acarretou danos significativos à infraestrutura. Cerca de 300 mil pessoas em Odessa ficaram temporariamente sem eletricidade e água. Em Dnipro, cerca de 10 mil unidades consumidoras encontram-se sem aquecimento, e em Kiev o desligamento afetou o sistema de aquecimento de aproximadamente 2.600 apartamentos. Essas falhas de serviços essenciais ampliam a vulnerabilidade civil a temperaturas baixas e dificultam respostas de socorro.
Do ponto de vista estratégico — e com a cautela de quem observa o tabuleiro além da crise imediata — trata-se de um movimento destinado a pressionar múltiplos eixos: desorganizar logística, testar defesas aéreas e produzir efeitos psicológicos e sociais nas populações urbanas. A escala do emprego de meios não tripulados combinada com mísseis balísticos indica uma tentativa de saturação das defesas ucranianas, numa jogada que busca explorar fragilidades operacionais e infraestruturais.
As autoridades ucranianas continuam a avaliar os danos e a coordenação para restabelecer serviços essenciais e ampliar a proteção civil. Equipes de emergência foram mobilizadas para atendimento aos feridos e reparos emergenciais nas redes de energia e abastecimento de água. A situação permanece volátil, com potenciais repercussões humanitárias imediatas e efeitos de médio prazo na resiliência das cidades atacadas.
Como analista, registro que este episódio configura mais que um ataque isolado: inscreve-se numa sequência de tentativas de desestabilização que visam tanto a capacidade logística quanto a determinação pública. No tabuleiro da diplomacia e da segurança, os próximos movimentos — internacionalmente e nas linhas de comando ucranianas — definirão o alcance desses danos e as medidas de contenção a serem adotadas.





















