Marco Severini — Em um movimento que remodela peças no tabuleiro diplomático, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ter mantido uma "excelente conversazione telefonica" com o presidente chinês, Xi Jinping. O comunicado partiu do próprio Trump, publicado na rede Truth, onde descreveu a ligação como "longa e approfondita" e listou uma série de temas abordados.
Segundo Trump, a conversa incluiu questões comerciais, política militar e, notadamente, a viagem que pretende realizar à China em abril — um encontro que o presidente norte-americano afirmou aguardar "con ansia". Entre os tópicos mencionados estiveram Taiwan, a guerra entre Rússia e Ucrânia, a situação atual no Irã, e negociações relativas ao petróleo e ao gás. Trump também citou a avaliação por parte da China da compra de produtos agrícolas adicionais, especificando uma intenção de aumento na aquisição de soja para a estação em curso — 20 milhões de toneladas — e um compromisso de 25 milhões de toneladas para a próxima temporada, além de entregas de motores para aeronaves e "numerosi altri argomenti" todos descritos como "molto positivi".
O presidente americano reiterou a qualidade do relacionamento bilateral: "Il rapporto con la Cina, e il mio rapporto personale con il Presidente Xi, è estremamente buono", afirmou, projetando que nos próximos três anos de sua presidência "otterrò molti risultati positivi" com a República Popular da China. Essa ênfase pessoal — típica de uma jogada pública destinada a consolidar confiança doméstica e transmitir previsibilidade no tabuleiro internacional — convive, porém, com uma nota oficial chinesa muito mais contida.
O site do governo de Beijing limitou-se a uma linha lacônica: "Mercoledì il presidente cinese Xi Jinping ha parlato telefonicamente con il presidente degli Stati Uniti Donald Trump", sem comentários adicionais. Na narrativa estatal, foi dada maior proeminência ao encontro virtual ocorrido no mesmo dia entre Xi e o presidente russo Vladimir Putin, acompanhado de fotografia e de um apelo à "collaborare per mantenere la stabilità strategica globale".
A televisão estatal CCTV atribuiu a Xi a observação de que China e Estados Unidos podem resolver suas questões bilaterais "con il rispetto reciproco" e que, "affrontando le questioni una a una e costruendo costantemente la fiducia reciproca, possiamo tracciare la strada giusta per la convivenza tra i due Paesi". O presidente chinês propôs fazer de 2026 "un anno in cui Cina e Stati Uniti, come due grandi Paesi, possano muoversi verso il rispetto reciproco, la coesistenza pacifica e una cooperazione vantaggiosa per entrambi".
Do ponto de vista estratégico, o contraste entre a mensagem expansiva de Trump e a resposta institucionalmente discreta de Beijing revela um duplo movimento: por um lado, a tentativa americana de abrir um canal de negociações amplas — comércio, energia, segurança regional — e, por outro, a China reafirmando seu eixo com a Rússia como contrapeso e como elemento de estabilidade compartilhada. Em termos de arquitetura geopolítica, trata-se de um redesenho de fronteiras invisíveis, onde simbolismo e substância se alternam conforme a audiência: doméstica, internacional e do palco multilateral.
As implicações para Taiwan, para a guerra na Ucrânia e para as linhas de abastecimento energético e alimentares são significativas, mas ainda não determinísticas. A partida está em curso; o movimento decisivo poderá vir na prática — na visita de abril — ou nas ações subsequentes que ambos escolherem como resposta aos vários desafios que permanecerão sobre a mesa.
Conclusão: A chamada confirma uma abertura de canal e um desejo público de convergência operacional. No entanto, a hesitação formal de Beijing e a simultânea ênfase no laço com Moscou indicam que a estabilidade desejada será fruto de negociações discretas e de uma construção gradual de confiança — como no xadrez, onde não basta mover a peça mais valiosa; é preciso assegurar as casas de apoio.






















