Por Marco Severini – Em nova demonstração de poder naval e de pressão diplomática, o Pentágono ordenou que um segundo grupo de porta-aviões se prepare para ser desdobrado na região do Golfo Pérsico. A decisão, noticiada por diversos órgãos de imprensa norte-americanos, insere-se num quadro tenso em que o presidente Donald Trump intensifica exigências para que o Irã abandone seus programas nucleares e de mísseis balísticos.
Em uma fala com tom de ultimato na Casa Branca, o presidente advertiu que, caso não haja acordo, as consequências serão ‘muito traumáticas’. Trump reiterou a expectativa de que as negociações com a República Islâmica se encerrem dentro de um mês e avisou que está pronto a conversar “pelo tempo que for preciso”, mas que existe uma segunda fase — uma ‘fase dois’ — que será “muito dura” caso as conversas fracassem.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, manifestou ceticismo quanto à viabilidade de um entendimento, o que adiciona uma camada de complexidade ao tabuleiro diplomático regional. No plano militar, a intenção seria enviar uma embarcação adicional para unir-se à USS Abraham Lincoln, que se encontra na área desde janeiro, acompanhada de seus navios de escolta.
Reportagens do New York Times indicam que o porta-aviões Gerald Ford, atualmente nos Caribes, foi designado para a movimentação e que a tripulação já foi informada da decisão. Veículos como o Wall Street Journal e a CBS haviam antecipado a possibilidade de um segundo porta-aviões na região. Essas ações evocam precedentes recentes: em março de 2025 as aeronaves nucleares Harry Truman e Carl Vinson foram ambas mobilizadas para o Golfo Pérsico em operações de contenção contra os rebeldes Houthi, com vínculos no Iêmen.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento significativo no tabuleiro de poderes do Oriente Médio. A presença de um segundo grupo de ataque de porta-aviões amplia não apenas a capacidade operacional de projeção de força, mas também a margem de pressão política sobre Teerã. Em termos de Realpolitik, a combinação de sombra diplomática e massa militar busca criar alicerces — ainda que frágeis — para forçar uma renegociação dos limites do programa nuclear iraniano.
Como analista, destaco que enviar outra unidade naval não é apenas uma demonstração de força; é também um instrumento para redesenhar fronteiras invisíveis de influência, forçando aliados e adversários a recalibrar suas jogadas. A mobilização do Gerald Ford ao lado da USS Abraham Lincoln sinaliza que Washington privilegia a dissuasão e a coerção calibrada, mantendo a opção militar como último recurso caso as negociações avancem sem acordo.
Numa época em que a tectônica de poder global está em mutação, cada movimento — naval, verbal ou diplomático — se inscreve num mapa maior. O prazo de um mês indicado por Washington será um período de intensa diplomacia, mas também de vigilância e posicionamento estratégico. O desfecho desse embate terá implicações diretas não só para o Irã e para os Estados Unidos, mas para toda a arquitetura de segurança regional.






















