Marco Severini – Em um movimento jurídico de alto impacto no tabuleiro institucional, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seus dois filhos adultos e a Trump Organization apresentaram nesta quinta-feira uma ação contra o fisco americano, a Internal Revenue Service (IRS), e o Departamento do Tesouro.
Protocolada no tribunal federal de Miami, a petição busca reparação de pelo menos US$10 bilhões, alegando que as agências federais falharam em impedir a divulgação de informações fiscais confidenciais atribuída a um ex-funcionário do IRS, identificado como Charles "Chaz" Littlejohn, nos anos de 2019 e 2020. Os autores da ação — o Presidente Donald Trump, Donald Trump Jr., Eric Trump e a Trump Organization — imputam ao governo negligência no dever de proteger dados sensíveis e responsabilização pelos danos resultantes do vazamento.
O processo, conforme o documento apresentado em Miami, descreve uma sequência em que informações fiscais foram tornadas públicas em momento crítico para interesses pessoais e corporativos ligados aos demandantes. A alegação central não é apenas a exposição dos documentos em si, mas a omissão institucional do IRS e do Tesouro em conter a difusão desses dados, mesmo após a identificação do ex-funcionário supostamente envolvido.
Num contexto estratégico, a ação legal assume dupla função: busca compensação financeira e ao mesmo tempo tenta controlar a narrativa pública e institucional sobre a origem das informações. Em termos de Realpolitik, é um movimento que tenta redesenhar fronteiras invisíveis entre responsabilidade administrativa e consequências políticas — um lance calculado num tabuleiro em que reputação, poder político e regras institucionais se confrontam.
Do ponto de vista jurídico, a reivindicação de US$10 bilhões serve tanto como cifra compensatória quanto como elemento de pressão. Ela sinaliza ao núcleo das instituições fiscais a necessidade de reforçar alicerces de segurança e procedimentos internos, sob pena de enfrentar demandas com implicações financeiras e simbólicas profundas.
É relevante notar que a ação não especifica, no conjunto público dos itens iniciais, todas as bases legais detalhadas — algo que será desenvolvido nas próximas fases processuais. Mas a escolha do foro federal em Miami e o valor exigido colocam o caso no centro de um debate mais amplo sobre proteção de dados sensíveis e responsabilidades estatais.
Enquanto o pleito segue seu trâmite na corte, observa-se um efeito geopolítico: o episódio expõe fragilidades institucionais que transcendem o enquadramento doméstico, alcançando percepções sobre a robustez das instituições americanas em momentos de tensão política elevada. Em suma, trata-se de um movimento que pretende, com firmeza, reposicionar as peças no tabuleiro da responsabilidade pública.
Seguiremos monitorando as reações oficiais do IRS e do Tesouro, bem como os desdobramentos processuais, que certamente envolverão perícias, pedidos de descoberta e confrontos retóricos que moldarão este capítulo de importância para a arquitetura institucional e para a tectônica de poder nos Estados Unidos.
Marco Severini — Espresso Italia






















