Marco Severini — A conjuntura no Oriente Médio atravessa uma fase de extrema tensão, com movimentos militares e diplomáticos que configuram um delicado redimensionamento das linhas de poder. De um lado, o presidente norte-americano Donald Trump, em Davos, abre canais de diálogo com Teerã em torno de um possível congelamento do programa nuclear e do arsenal de mísseis do Irã. De outro, Tel Aviv intensifica a pressão sobre os EUA para autorizar um ataque de maior envergadura contra o território iraniano — inclusive a instalação nuclear de Fordow.
Ao mesmo tempo em que Washington negocia termos para um acordo que limite a proliferação nuclear e a capacidade balística iraniana, ocorre um significativo reposicionamento de meios militares norte-americanos. Foram deslocados para bases-chave na Europa e no Médio Oriente dez reabastecedores aéreos KC-135: quatro para Morón (Espanha), quatro para Al Udeid (Qatar) e dois para RAF Mildenhall (Reino Unido), somando-se às dezenas já presentes na região. A mobilização logísticamilitar sustenta a capacidade de projecção de força em operações aéreas de longo alcance — um alicerce tático imprescindível caso se opte pelo assalto aéreo.
Relatos de imprensa em Tel Aviv evocam um possível ataque norte-americano marcado para “entre sábado e domingo”, enquanto as forças de defesa israelenses permanecem em alerta máximo diante de uma eventual retaliação iraniana. Fontes de inteligência, mencionadas em bastidores, afirmam que o Mossad considera um raid apenas temporariamente adiado, não cancelado. No plano naval, há referências a duas escoltas de aeronaves norte-americanas posicionadas e a reforço de esquadrões de caças na Jordânia; paralelamente, a União Europeia teria limitado alguns corredores aéreos sobre o Irã.
No front político, a tônica é dupla. A administração Trump sinaliza abertura a negociações para um acordo que bloqueie avanços nucleares e module o programa de mísseis iraniano. Mas, segundo interlocutores israelenses, existe um esforço persistente de Israel para convencer Washington de que apenas uma ação militar decisiva neutralizaria a ameaça regional. A tensão entre diplomacia e coerção gera uma frágil tectônica de poder, em que cada movimento é calculado para preservar vantagens estratégicas sem precipitar uma conflagração mais ampla.
Em discurso de efeito, o presidente norte-americano dirigiu uma mensagem dura ao líder supremo iraniano: uma advertência de que as localizações sensíveis são monitoradas — frase que reverbera como ameaça e instrumento de pressão. Do lado iraniano, a narrativa oficial mistura resoluta retórica de resistência com sinais de disponibilidade para negociações condicionadas, num jogo de xadrez em que ambos os lados testam limites e reações.
Em suma, vivemos uma fase em que o redimensionamento de fronteiras invisíveis e a arquitetura estratégica regional são testados. As próximas 72 horas serão cruciais: ou se consolida um corredor diplomático que contenha a crise, ou a região poderá assistir a uma escalada que reescreva, de forma abrupta, o equilíbrio de poder do Médio Oriente.






















