Por Marco Severini, Espresso Italia — Em um pronunciamento que desenha um movimento estratégico de longo alcance no tabuleiro internacional, o presidente norte-americano afirmou que os EUA estão preparados para uma campanha prolongada contra o Irã e não descartou o envio de trupas no terreno.
Batizada pelo governo como Operação Fúria Épica e iniciada no sábado, 28 de fevereiro, a ofensiva foi concebida inicialmente como uma ação de quatro a cinco semanas. Contudo, segundo o presidente, os Estados Unidos dispõem de recursos para estender a operação “muito além” desse horizonte temporal, caso os objetivos estratégicos assim o exijam. Na Casa Branca, declarou que a liderança militar iraniana foi neutralizada rapidamente e que as forças americanas estão “à frente do cronograma”.
O custo humano já contabilizado — seis soldados mortos e cerca de vinte gravemente feridos — é, nas palavras presidenciais, um preço que pode aumentar se a campanha se prolongar. Três caças caíram no Kuwait, aparentemente atingidos por fogo amigo; os pilotos sobreviveram sem vítimas fatais, conforme informado.
Houve, ainda, um contraponto com as declarações do secretário de Defesa, Pete Hegseth, que procurou minimizar a possibilidade de uma campanha sem fim, comparando a ação com cenários anteriores como o do Iraque. O presidente, porém, relativizou essa segurança retórica, afirmando que não se trata de aborrecimento passageiro: “Eu não me aborreço. Não há nada de entediante nisso”, disse, reforçando a disposição de prosseguir até a consecução dos objetivos.
O objetivo declarado é explícito: impedir que o que Washington identifica como o principal sponsor do terrorismo adquira uma arma nuclear. Trump criticou o acordo prévio assinado durante a administração Obama, qualificando-o como um caminho que teria facilitado um avanço legítimo do programa iraniano. Importante assinalar que, até o momento, não foram apresentados dados públicos novos que comprovem progresso imediato e concreto do programa nuclear iraniano.
Na retórica presidencial, consta também a determinação de “garantir” que o regime iraniano não continue a armar, financiar e dirigir redes e milícias além de suas fronteiras, e a ênfase na destruição das capacidades misilísticas do Irã, que, segundo o anúncio, têm sido degradadas continuamente “a cada hora”.
Quanto à possibilidade de inserção de forças terrestres, o presidente recusou uma negação categórica: não prometeu que não haverá boots on the ground, ponderando que tal medida seria avaliada apenas se estritamente necessária. É uma declaração que redobra a incerteza tática: no tabuleiro da geopolítica, abrir essa porta significa mudar os alicerces frágeis da diplomacia e redesenhar fronteiras invisíveis de influência.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento que remete a uma tectônica de poder — lento, porém capaz de remodelar equilibrios regionais. A administração dos próximos passos dependerá tanto da evolução dos fatos no terreno quanto das reações de atores regionais e globais. O risco de escalada, incluído o envolvimento direto de tropas terrestres, permanece como uma peça de xadrez guardada nas mangas do decisor.
Em resumo, os EUA declaram disposição para uma operação de média a longa duração contra o Irã, com metas declaradas de neutralizar capacidades nucleares e misseis, e sem fechar a hipótese de intervenção terrestre — um movimento que privilegia a pressão contínua e a dissuasão, mas que, simultaneamente, amplia a incerteza na dinâmica da estabilidade regional.






















