Por Marco Severini, Espresso Italia
Em um movimento que ressoa como um lance inesperado no tabuleiro diplomático, o presidente norte-americano Trump declarou, durante a reunião de Gabinete, ter solicitado pessoalmente ao presidente Putin que suspenda ataques a Kiev e a «várias outras cidades» da Ucrânia por um período de uma semana, devido a um «frio recorde». Segundo o próprio Trump, Putin deu o «ok» a esse pedido. A informação, vinda do centro do poder estadunidense, tem o tom de um acordo temporário com impacto humanitário imediato.
Na mesma sessão da Casa Branca, o enviado especial Steve Witkoff falou sobre o andamento das conversações que os Estados Unidos estão mediando entre Rússia e Ucrânia. Witkoff afirmou que os colóquios «proseguirão por cerca de uma semana» e reportou desenvolvimentos «positivos» em relação a um possível acordo territorial. Segundo ele, o protocolo sobre segurança está em grande parte concluído, assim como disposições relativas à prosperidade, numa arquitetura negociada que busca afirmar garantias e incentivos para o futuro.
O presidente ucraniano Zelensky agradeceu publicamente a Trump pela iniciativa de proteger o abastecimento energético e as vidas humanas durante o inverno excepcionalmente rigoroso. Em mensagem nas redes, Zelensky ressaltou a importância do suprimento energético para a sobrevivência das populações e disse que as equipes ucranianas e americanas discutiram os termos nos Emirados Árabes Unidos, esperando a implementação dos acordos.
Até o momento não há um pronunciamento formal de Moscou confirmando a trégua anunciada por Washington. Previamente, contudo, o ministro das Relações Exteriores russo, Lavrov, havia qualificado à imprensa turca a ideia de um cessar-fogo temporário como «inaceitável» para a Rússia, reiterando que um cessar-fogo como o proposto pelo lado ucraniano, mesmo que de 60 dias ou mais, não encontra consenso em Moscou.
O conselheiro presidencial russo Yuri Ushakov sublinhou que a questão territorial permanece no centro de qualquer acordo de paz, e que diversas demais matérias também constam na agenda — lembrando, com realismo cartesiano, que nenhuma garantia de segurança foi formalmente acordada com a Rússia até o presente.
Este episódio configura-se como um deslocamento tático no jogo de influência: um gesto de redução imediata de danos por parte de Washington, que ao mesmo tempo preserva espaço para negociações substantivas sobre territórios e garantias de segurança. É um movimento que aponta tanto para a tentativa de criar alicerces mais estáveis quanto para a manutenção das linhas de ruptura ainda abertas entre Moscou e Kiev — a tectônica de poder segue em curso.
Em nota à parte, Roma informou que, na mesma data, o Conselho dos Ministros aprovou, a proposta do ministro Gilberto Pichetto Fratin, o Plano de bacia — estrato de ordenamento hidrogeológico — do distrito hidrológico do Apenino Setentrional, instrumento ligado à gestão do risco de desmoronamentos e à segurança ambiental.
À guisa de síntese: a anunciada tregua de uma semana tem valor humanitário imediato e simbólico, mas permanece frágil frente às declarações russas e ao núcleo duro das negociações territoriais. No xadrez diplomático que se desenha, o desafio é converter um cessar de hostilidades temporário em fundamentos duradouros de segurança e estabilidade.






















