Por Marco Severini — Em um movimento abrupto que rasgou a rotina de uma partida juvenil, um tiroteio na Dennis M. Lynch Arena, em Pawtucket, Rhode Island, resultou em três mortos — incluindo o atirador — e três feridos em condição crítica. O episódio ocorreu durante um jogo da North Providence High School e revelou, mais uma vez, os alicerces frágeis da convivência familiar quando são atingidos por violência armada.
As autoridades identificaram o agressor como Robert Dorgan, 56 anos, também conhecido em registros como Roberta Esposito. A chefe de polícia local, Tina Goncalves, descreveu o ataque como um ato mirado, nascido de uma disputa doméstica. Dorgan, pai de um jogador em campo, inicialmente estava sentado na área destinada à equipe da casa; em seguida deslocou-se para a primeira fila e disparou contra quatro parentes e um amigo da família.
As cenas do crime foram registradas pela transmissão ao vivo do jogo. No vídeo, escutam-se treze disparos em rápida sucessão, comprimidos em cerca de seis segundos; depois, onze segundos mais tarde, um último tiro isolado — o que os investigadores acreditam ter sido o suicídio do atirador nas arquibancadas. A sequência mostra o pânico imediato: atletas e espectadores correndo em direção às saídas, enquanto as vozes e gritos se sobrepõem ao ruído do gelo.
Um elemento decisivo para conter a tragédia foi a intervenção de um espectador presente: um homem das arquibancadas lançou-se contra o atirador, conseguindo desestabilizar e isolar o agressor, o que, segundo testemunhas, pode ter evitado um número ainda maior de vítimas. Entre os mortos estão a mãe do filho de Dorgan e um irmão do atirador, que não resistiu aos ferimentos após o transporte ao hospital. Três pessoas permanecem em estado crítico.
À saída do departamento de polícia, uma mulher que se identificou como filha do autor confirmou aos repórteres que “meu pai é o assassino. Ele atirou na minha família” e afirmou que o progenitor enfrentava graves problemas de saúde mental. A polícia descartou motivações terroristas e encerrou o alerta cerca de uma hora depois do ataque. As investigações prosseguem com interrogatórios de testemunhas e análise das imagens da arena.
Do ponto de vista estratégico e social, este episódio evoca a necessidade de repensar os mecanismos de proteção em eventos esportivos juvenis e o acompanhamento de conflitos familiares que podem escalar para a violência letal. A cidade de Pawtucket ativou serviços de apoio psicológico para estudantes e familiares presentes, numa resposta que busca estabilizar o trauma imediato — uma manobra de contenção necessária diante do redesenho de fronteiras invisíveis que a violência interpessoal imprime ao espaço comunitário.
Como analista, vejo este caso como um movimento trágico em um tabuleiro onde conflitos íntimos, acesso a armas e falhas de suporte em saúde mental convergem. A comparação é dura, porém útil: assim como numa partida de xadrez, ações aparentemente isoladas podem provocar um efeito dominó — e a comunidade, neste jogo, precisa antecipar jogadas para proteger as casas vulneráveis do tabuleiro.
A investigação seguirá, buscando esclarecer motivações, cronologia detalhada dos disparos e eventuais falhas de prevenção. Enquanto isso, a prioridade imediata das autoridades e da comunidade é amparar vítimas e testemunhas, documentar evidências e recuperar a normalidade, com a sobriedade que casos dessa natureza exigem.





















