Assinatura de Marco Severini — Em um movimento que redesenha, por ora, os alicerces da rotina urbana, o nordeste dos Estados Unidos foi novamente golpeado por uma violenta tempestade de neve. Após um fim de semana que prometera um anticiclone de primavera, a região registou a segunda nevasca no espaço de um mês, a mais intensa em nove anos.
Para muitos moradores, especialmente os mais velhos de Nova Inglaterra e da própria Nova York, é uma camada de neve que remete àquelas vistas nos anos 1960. O impacto prático foi imediato: o neosindaco Zhoran Mamdani adotou medidas drásticas na cidade mais afetada, determinando o fechamento de escolas e escritórios e proibindo o tráfego não essencial em pontes e vias principais.
Do alto do tabuleiro, a administração municipal fez um apelo claro e uniforme aos cidadãos: permanecem em casa. “Pedimos aos nova-iorquinos que evitem todos os deslocamentos não essenciais. Por favor, pela sua segurança, permaneçam em casa e não saiam às ruas”, declarou o prefeito.
O Departamento de Transportes do Estado de Nova York reforçou a orientação para o teletrabalho: “Se hoje você pode trabalhar remotamente, faça-o”. Mesmo serviços essenciais ao cotidiano urbano foram afetados: o DoorDash, principal plataforma de entrega de alimentos nos EUA, suspendeu o serviço durante toda a noite.
Autoridades de Estados vizinhos replicaram a mesma mensagem. Pelo X, o Departamento de Transportes do Connecticut alertou: “Fiquem em casa e não saiam às ruas. Se precisarem sair, reduzam a velocidade e tenham cautela”. O serviço meteorológico nacional qualificou as condições de viagem como “quase impossíveis”. Mais de 5.000 voos foram cancelados, e diversas rodovias permanecem fechadas.
O custo humano e infraestrutural é significativo: a CNN reportou que mais de 600.000 residências e empresas no nordeste ficaram sem eletricidade devido ao peso da neve sobre árvores e postes. O Estado mais afetado é o Massachusetts, com cerca de 300.000 clientes sem energia — incluindo 85% da população da condado de Barnstable, que engloba Cape Cod. New Jersey registrou aproximadamente 125.000 quedas de energia; Delaware, Rhode Island e outros Estados também contabilizam milhares de consumidores no escuro.
Companhias de energia já mobilizam equipes de resposta e buscam apoio de concessionárias de Estados vizinhos para acelerar o restabelecimento do serviço, processo que as próprias empresas estimam levar dias, dado o grande número de árvores e postes derrubados.
Por ora, o cenário educacional acompanha a emergência: escolas foram fechadas em Nova York, Massachusetts, Rhode Island, Pensilvânia, Delaware, Connecticut e New Jersey. Em Washington, D.C., a prefeita Muriel Bowser optou por atrasar as aulas em duas horas, mantendo-as porém em funcionamento. As autoridades de Nova York informaram que 13 edifícios permanecerão abertos como pontos de suporte e abrigo.
Como analista que observa a tectônica de poder e logística numa grande metrópole, interpreto essa sequência de decisões como um movimento defensivo no tabuleiro: o objetivo é preservar vidas e infraestrutura, enquanto as equipes técnicas trabalham para recuperar mobilidade e energia. A prudência é a peça que, neste momento, deve guiar as jogadas de cidadãos e governantes.






















