Por Marco Severini — Uma ampla e poderosa tempestade invernal está prestes a colocar mais da metade dos Estados Unidos em estado de alerta, com potencial para redesenhar, por algumas horas e dias, a rotina e a mobilidade do país. Segundo relatório da CNN, o sistema — com um percurso estimado em cerca de 2.400 km do Texas até o Nordeste — começará a atuar hoje e já é esperado que até segunda-feira deposite, em pontos críticos, pelo menos 30 centímetros de neve e quantidades destrutivas de gelo.
Em termos práticos, trata-se de um movimento climático que atravessa diferentes “territórios” meteorológicos: das Montanhas Rochosas e das Planícies Meridionais até o New England. Mais de 160 milhões de pessoas em mais de duas dezenas de estados encontram-se sob alertas para tempestades de neve ou de gelo. A escala e a velocidade do fenômeno forçam decisões administrativas e logísticas em múltiplos níveis — um verdadeiro movimento decisivo no tabuleiro, no qual governadores e operadores de transporte tentam antecipar as jogadas.
Até o momento, pelo menos 10 estados declararam estado de emergência. A aviação já sofre os efeitos: mais de 1.300 voos previstos para amanhã foram cancelados, reflexo de uma combinação de visibilidade reduzida, camadas de gelo nas pistas e protocolos de segurança. Nos grandes centros do Nordeste, cidades como Nova York e Filadélfia podem registrar as maiores nevascas dos últimos quatro anos, enquanto metrópoles do Sul — tradicionalmente menos acostumadas a gelo intenso — enfrentam risco de perdas significativas por acúmulo de gelo em redes elétricas e na infraestrutura viária.
Do ponto de vista estratégico, são os alicerces frágeis da logística civil que ficam em evidência: linhas de transmissão, sistemas de transporte público e cadeias de abastecimento dependem de condições que uma tempestade desta magnitude tende a comprometer. As respostas estaduais — declarações de emergência, fechamento de escolas, suspensão de serviços — são manobras preventivas para reduzir danos humanos e materiais. A coordenação entre os níveis federal, estadual e local será a chave para mitigar impactos, assim como a capacidade das empresas de transporte de ajustar rotas e horários.
Para a população, o conselho é clássico, mas urgente: limitar deslocamentos não essenciais, preparar estoques básicos e seguir as orientações das autoridades locais. Em termos geopolíticos e de gestão de risco doméstico, episódios como este recordam que, mesmo em nações com grande capacidade de previsão e resposta, a natureza ainda dita movimentos capazes de testar a resiliência das infraestruturas.
Continuarei acompanhando os desdobramentos deste sistema. Em um tabuleiro onde o tempo define movimentos, a prioridade, por ora, é minimizar perdas e preservar vidas.






















