Por Marco Severini, Espresso Italia. A Tempestade Marta aproxima-se da Península Ibérica, impondo um novo e severo teste à capacidade de resposta das autoridades em Portugal e na Espanha, poucos dias após as cheias provocadas por Leonardo que já causaram vítimas em ambos os países. Este é um movimento decisivo no tabuleiro meteorológico da região, que redesenha, por ora, fronteiras invisíveis entre segurança e crise.
Em Portugal, foram mobilizados cerca de 26.500 socorristas para enfrentar a perturbação que se anuncia. A magnitude da resposta operacional é reflexo não apenas da intensidade prevista, mas também do acúmulo de eventos extremos recentes: o país ainda se recupera dos efeitos da tempestade Kristin e das inundações mais recentes. Três municípios portugueses adiaram a votação presidencial prevista para amanhã, uma consequência direta do risco imediato e da necessidade de priorizar a segurança pública.
A proteção civil portuguesa emitiu alertas pela possibilidade de novas inundações, deslizamentos e aguaceiros repentinos. O comandante Mario Silvestre qualificou as previsões como “extremamente preocupantes”, e a preocupação se estende às rajadas de vento que podem alcançar os 110 km/h quando a tempestade roçar a costa. Exemplos recentes mostram como os alicerces frágeis da infraestrutura podem ceder rapidamente diante de sucessões de eventos — ferrovias interrompidas, centenas de estradas bloqueadas e milhares de pessoas evacuadas pelas águas.
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, que visitou, nesta semana, as regiões afetadas, estimou prejuízos provisórios superiores a 4 bilhões de euros. Esse número, ainda sujeito a revisão, já indica a dimensão econômica e social do impacto: trata-se de uma tectônica de poder que afeta orçamentos locais, capacidade de resposta e a confiança pública nas instituições.
Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez sobrevoou ontem as áreas do sul mais atingidas, próximas a Cádis, e alertou que virão “dias difíceis” devido às previsões meteorológicas “muito perigosas”. A sua deslocação para encontrar equipas de salvamento em Madrid hoje sublinha a prioridade política em coordenar recursos e mitigar danos. A situação comprova que, no xadrez geopolítico climático, decisões rápidas e bem coordenadas são essenciais para conter efeitos em cadeia.
Especialistas advertem que a mudança climática de origem humana aumenta a duração, intensidade e frequência de eventos extremos como cheias e ondas de calor, uma linha contínua entre causa e efeito que torna as estratégias de defesa civil e de planeamento urbano mais centrais do que nunca.
Na análise de longo prazo, a repetição de tempestades — Kristin, Leonardo e agora Marta — revela um padrão que exige robustez institucional e investimentos em resiliência: sistemas elétricos mais resistentes, infraestruturas de drenagem, planos de evacuação e uma cartografia atualizada de riscos. A resposta atual, vigorosa nas operações de emergência, precisa ser acompanhada por políticas públicas que alterem o jogo a médio e longo prazo.
Em suma, a chegada da Tempestade Marta representa mais do que um evento meteorológico; é um teste à capacidade de adaptação e a um modelo de governança que enfrenta a realidade de uma nova era climática. Como num lance preciso de xadrez, cada movimento das autoridades determinará o alcance dos danos e a velocidade da recuperação.
Marco Severini — Espresso Italia





















