Por Marco Severini — A potente tempestade ártica que avança sobre os Estados Unidos consolidou-se como um movimento decisivo no tabuleiro meteorológico do país, afetando rotas aéreas, redes elétricas e a rotina de milhões de cidadãos. Nas primeiras horas do dia foram reportados mais de 3.000 voos cancelados, número que, segundo a NBC News, pode escalar para cerca de 15.000 até o fim do dia. Entre os aeroportos mais pressionados estão os de Nova York, Dallas, Nashville, Atlanta e Chicago. Diversas companhias aéreas americanas já oferecem reacomodações sem custo adicional.
O fenômeno mobiliza uma massa de ar gélido que se estende por cerca de 3.600 quilômetros e interessa hoje a mais de 200 milhões de pessoas — aproximadamente dois terços do território norte-americano serão atingidos por neve, temperaturas polares e por um vento de origem siberiana. Meteorologistas alertam que o episódio pode ser a maior tempestade invernal dos últimos cinco anos; já há quem defina o alcance do frente ártica como sem precedentes modernamente.
As autoridades e especialistas estão aconselhando a população a formar estoques básicos de alimentos e água e a buscar meios para manter os aparelhos celulares carregados diante do risco de apagões. Mais de 50 mil residências já registravam falta de eletricidade em regiões da Califórnia, Texas e Minnesota; Virgínia e Carolina do Norte se preparam para cortes de energia em larga escala. No Tennessee há relatos de árvores que podem partir com estalos devido ao congelamento intenso — uma imagem que, geopoliticamente, lembra as fragilidades dos alicerces de infraestrutura quando submetidos a choques simultâneos.
Desde ontem, neve e chuva congelante avançam pelas vales do Mississippi e do Tennessee em direção ao nordeste. Dezenessete estados — além da capital Washington — declararam estado de emergência. Nove estados ativaram contingentes da Guarda Nacional para apoio logístico e operações de resgate. Na região de Minneapolis, Minnesota, as temperaturas despencaram a cerca de -29°C; condições comparáveis são esperadas em partes de Ohio, Michigan e Wisconsin.
São previstas nevascas intensas também no Texas e ao longo da cadeia dos Apalaches. No Kentucky, por exemplo, projeções indicam acúmulos que podem alcançar 30 centímetros de neve. “Estamos em condição de verdadeira emergência”, declarou o governador Andy Beshear, sintetizando o tom das lideranças estaduais frente ao risco sistêmico.
Nos grandes centros do nordeste, como Nova York, Boston, Filadélfia e Washington, as administrações se mobilizam para a chegada de uma verdadeira “bomba ártica” nas próximas horas. Em Nova York as temperaturas já caíram para cerca de -12°C, e mais de dois mil caminhões limpa-neve foram colocados em prontidão. A prefeita de Boston, Michelle Wu, pediu aos moradores que evitem sair de casa, lembrando que a intensidade da precipitação pode chegar a 5–7 centímetros por hora a partir de amanhã.
Do ponto de vista geoestratégico, uma tempestade deste porte revela mais do que desafios meteorológicos: expõe a interdependência das redes de transporte, energia e emergência, exigindo coordenação federativa e capacidade de resposta nos níveis local e estadual. No tabuleiro das infraestruturas contemporâneas, decisões táticas tomadas nas próximas horas definirão não apenas a segurança imediata, mas também a resiliência comunitária nas semanas seguintes.






















