Por Marco Severini — Em movimento cuidadoso sobre o tabuleiro da política econômica, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Tajani, encabeçará amanhã uma missão dirigida a sustentar o tecido produtivo da Sicília, da Calábria e da Sardenha, regiões severamente atingidas pelas calamidades naturais de janeiro. A iniciativa, comunicada pela Farnesina, articula instrumentos estatais de apoio à internacionalização e à recuperação, numa resposta que combina medidas imediatas com desenho estratégico de médio prazo.
A missão integra os vetores institucionais do governo, com a participação dos dirigentes do ICE, da Simest, da SACE e da Cassa Depositi e Prestiti. No itinerário, Tajani encontrará os presidentes regionais e representantes das comunidades empresariais locais para expor as medidas extraordinárias aprovadas em favor das empresas dos territórios afetados.
O pacote delineado contém componentes financeiros e promocionais distintos, destinados a aliviar choques imediatos e preservar os corredores de comércio exterior que sustentam a economia regional. O ICE aprovou um pacote de intervenções de 15 milhões de euros, válido por um ano, que prevê participação gratuita em iniciativas promocionais nacionais e no exterior, reembolso de quotas já pagas e acesso a ferramentas digitais e de e-commerce, com procedimentos simplificados para acelerar a reinserção das empresas nas cadeias de valor.
A Simest estabeleceu medidas emergenciais com um plafond dedicado de 300 milhões de euros. Esse arcabouço inclui contributos a fundo perdido de até 20% para mercados estratégicos, indemnizações por danos e perdas de rendimento, e incentivos para investimentos vinculados à transição digital e ecológica — movimentos essenciais para aumentar a resiliência ante choques climáticos.
A SACE ativou instrumentos de natureza seguradora e financeira com validade até 30 de junho de 2026, contemplando moratórias, prorrogações e apoio dedicado às empresas, enquanto a Cassa Depositi e Prestiti participa na definição de instrumentos para a fase de reconstrução, apoiada pela experiência acumulada em eventos calamitosos anteriores.
Do ponto de vista estrutural, Sicília, Sardenha e Calábria partilham um tecido produtivo dominado por micro e pequenas empresas, com forte propensão à exportação e, simultaneamente, elevada exposição a choques climáticos — uma combinação que exige medidas calibradas para proteger mercados externos e reforçar a base produtiva local.
Na balança comercial, a Sicília consolida-se como a segunda região do Mezzogiorno em exportações, com um interscambio de 32,9 bilhões de euros em 2024 e exportações de 13,4 bilhões; nos primeiros nove meses de 2025 as exportações alcançaram 9,5 bilhões, impulsionadas sobretudo pela atividade de refino petrolífero. A Sardenha registrou exportações de 6,7 bilhões em 2024 (‑0,6%), recuando para 4,7 bilhões nos primeiros nove meses de 2025 (‑11,5%) sob o efeito da volatilidade dos preços energéticos. A Calábria, embora em níveis absolutos mais modestos, mostrou dinamismo: 931 milhões em 2024 (+5,6%) e 736 milhões nos primeiros nove meses de 2025 (+9,2%), sustentados principalmente pelo setor agroalimentar.
Numa leitura geopolítica de longo prazo, a missão de Tajani não é apenas um socorro técnico: é um movimento estratégico para preservar corredores de influência econômica no Sul da Itália, mantendo abertas as rotas de exportação e evitando erosões duradouras do capital produtivo. Em linguagem de xadrez, trata-se de proteger as peças menores — as micro e pequenas empresas — que, se perdidas, fragilizam a defesa do conjunto. A coordenação entre instituições financeiras e agências de promoção será determinante para transformar o apoio emergencial em alicerces estáveis da diplomacia econômica italiana.






















