Por Marco Severini – La Via Italia
Em um movimento calculado sobre o tabuleiro político nipônico, a primeira-ministra Sanae Takaichi anunciou o escoamento da Dieta e a convocação de eleições antecipadas, com votação marcada para 8 de fevereiro. A decisão foi comunicada em conferência de imprensa nesta segunda-feira, quando a líder conservadora afirmou que pedirá aos eleitores que a julguem nas urnas.
Nomeada chefe do governo há cerca de quatro meses, em outubro, Takaichi assume agora um movimento estratégico: aproveitar um índice de aprovação que ultrapassa os 60% para consolidar uma maioria parlamentar mais confortável. Atualmente, a coalizão de governo sustenta uma maioria estreita na Câmara baixa, mantida graças ao apoio de três parlamentares independentes — um arranjo frágil que torna o executivo vulnerável a oscilações internas.
A campanha eleitoral terá início em 27 de janeiro, abrindo formalmente a corrida até o dia do voto, 8 de fevereiro. No pano de fundo desta antecipação estão desafios estruturalmente relevantes: crescimento econômico anêmico, tensões internas no seio do conservadorismo japonês e relações externas que exigem recalibragem, sobretudo na aliança com os Estados Unidos e no equilíbrio do Indo-Pacífico.
Nos últimos dias, Takaichi recebeu a visita da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, em eventos que também foram símbolos diplomáticos. Em Tokyo, gestos de cordialidade — como um canto de “Tanti Auguri” em italiano — e selfies em estilo Manga reforçaram a imagem de afinidade bilateral. A líder italiana reiterou o compromisso de trabalho conjunto para garantir um Indo-Pacífico livre, sublinhando os laços estratégicos entre Roma e Tóquio.
Do ponto de vista geopolítico, a escolha de Takaichi é um movimento de risco calculado. Em termos de Realpolitik, convocar eleições com alta popularidade corrente pode ser interpretado como um ataque preventivo para transformar capital político em estabilidade legislativa. É, ao mesmo tempo, um lance para recompor alicerces internos antes que pressões externas — económicas e de segurança — exijam decisões difíceis.
Analistas observam que a tensão tectônica entre necessidade de reformas econômicas e coesão partidária pode provocar surpresas na contagem final. Uma vitória ampliada garantiria a Takaichi margem para avanzar em sua agenda; um resultado adverso ou uma maioria diluída, por outro lado, redesenhará as linhas de força no cenário governamental — um redesenho de fronteiras invisíveis no mapa do poder japonês.
Em suma, o anúncio formaliza um ciclo político acelerado: dissolução da Câmara baixa, campanha curta e um pleito que promete redesenhar o equilíbrio parlamentar em um momento delicado para a estabilidade regional. No tabuleiro da diplomacia, este é um movimento decisivo com consequências que ultrapassam as fronteiras do arquipélago.




















