Por Giuseppe Borgo, La Via Italia — Em entrevista ao programa Non Stop News, na emissora RTL 102.5, o ministro dos Transportes e vice‑presidente do Conselho, Salvini, comentou o grave acidente ferroviário ocorrido nos arredores de Adamuz, na Andaluzia. “Nós estamos presentes na Espanha com trens novíssimos, com três ou quatro anos de vida, que operam o serviço de alta velocidade”, disse o ministro, acrescentando que, neste momento, o que podem fazer é estar próximos das autoridades e dos colegas das ferrovias espanholas e acompanhar os trabalhos de socorro. “Rezamos e acompanhamos. Temo que o balanço não seja definitivo”, concluiu.
Salvini qualificou o episódio como “pesadíssimo” e afirmou que a Itália acompanha a situação “desde ontem à noite”, com instituições e Ferrovie dello Stato prontas a oferecer apoio técnico e logístico. A fala do ministro oscilou rapidamente entre a emergência internacional e a agenda ferroviária doméstica: ao se dirigir aos ouvintes com “os fones nos trens“, ele orgulhou‑se de números nacionais — cerca de 1.300 canteiros de obra ativos, “um número nunca atingido antes”, com mais de 10 mil trens circulando diariamente e mais de dois milhões de passageiros transportados.
No tom característico de quem mede as palavras como alicerces de credibilidade, Salvini afirmou que o esforço em curso visa tornar a rede “o mais segura, moderna e eficiente possível”. A metáfora da construção reapareceu como diagnóstico e compromisso: a modernização da malha ferroviária é tratada como obra pública que sustenta a mobilidade e a coesão social.
Da tragédia ferroviária para a arena da política externa, o ministro voltou a criticar a postura de algumas capitais europeias. Direcionando suas palavras a Bruxelas e a França, pediu que não “façam os valentões” e que a União Europeia retome o papel de diplomacia e diálogo. Sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia, Salvini declarou esperar que este seja “o último ano de conflito” e defendeu uma orientação do apoio italiano que seja “defensiva, logística e humanitária“, evitando o protagonismo militar com mísseis, blindados e tropas.
Segundo o ministro, o respaldo italiano existe “graças à Lega e ao governo” e deve apoiar o espaço de negociações que, afirmou, se abriu nos últimos meses. Salvini citou a existência de “um tavolo di confronto” que não havia nos três anos anteriores e ressuscitou referências externas ao pontuar que o Papa e até iniciativas de atores internacionais contribuiriam para um “spiraglio de paz”. Questionado sobre a continuidade de decretos de envio de armas, o ministro foi taxativo: “Não, não é que espero. Estou convicto” de que o apoio seguirá nas modalidades por ele descritas.
Como repórter que observa a intersecção entre decisões de Roma e a vida das pessoas, registro que a resposta italiana combina oferta técnica (ferrovias e equipamentos), discurso público (segurança e modernização) e posicionamento geopolítico (diplomacia vs. militarização). Em tempos de crise, a política pública se revela como a ponte entre nações e cidadãos: o peso da caneta ministerial define não só palavras, mas também os próximos passos do suporte operacional e humanitário.

















