Por Marco Severini — Em declarações firmes e medidas, o primeiro‑ministro holandês Mark Rutte dissipou dúvidas sobre a possibilidade de mudanças no status da Groenlândia após os recentes encontros com a administração norte‑americana. Questionado pela Fox News se a ilha ártica permaneceria sob a soberania dinamarquesa num eventual novo acordo, Rutte foi categórico: o tema “não foi levantado” durante as conversas com o presidente dos Estados Unidos.
Na avaliação do chefe do governo holandês, as negociações centram‑se nos desafios práticos de proteção de uma vasta porção do Ártico, onde — nas suas palavras — “estão em curso mudanças” e tanto a China como a Rússia se mostram cada vez mais ativos. Esse foi, segundo ele, o ponto central das discussões: como a OTAN e os aliados podem coletivamente reforçar a segurança da região.
Rutte destacou que já existe “um bom acordo para começar a trabalhar concretamente” sobre essas questões, ainda que haja “muito trabalho a ser feito” para transformar entendimentos em medidas efetivas. Trata‑se, afirmou, de definir o que a Aliança pode fazer em conjunto para garantir a segurança do arquipélago e das rotas estratégicas do Ártico — um movimento decisivo no tabuleiro onde se redesenha uma tectônica de poder polarizada.
No âmbito do Fórum de Davos, durante uma café da manhã de trabalho dedicado à Ucrânia, Rutte também foi claro quanto ao conflito em curso: duvida que as negociações de paz cheguem a um desfecho antes da primavera. A Rússia, sublinhou, permanece como “nosso maior adversário” e a comunidade ocidental não deve desviar o foco do apoio a Kiev, mesmo quando crises diplomáticas paralelas surgem em outras frentes.
Sobre as necessidades militares da Ucrânia, Rutte pediu a manutenção do fluxo de ajuda, citando explicitamente a importância de sistemas capazes de interceptar ataques e de manter a superioridade defensiva diante das investidas russas. “A Ucrânia deve ter o apoio militar necessário”, afirmou, ressaltando a urgência de sustentar o esforço logístico e material.
Confrontado com perguntas sobre o compromisso norte‑americano, Rutte afirmou não ter “nunca duvidado” do apoio dos Estados Unidos. Segundo ele, a equipa do presidente Trump trabalha para um acordo que impeça a Rússia de tentar, no futuro, outra agressão ao território ucraniano — uma intenção que, se concretizada, alteraria os alicerces frágeis da diplomacia regional.
Em suma, as palavras de Rutte desenham um panorama de prioridades: salvaguardar a estabilidade do Ártico, consolidar respostas coletivas da OTAN e não perder de vista o apoio incondicional à Ucrânia. Num tabuleiro geopolítico em transformação, as jogadas práticas prevalecem sobre as discussões sobre soberania, pelo menos por ora.






















