Por Marco Severini, Espresso Italia. Em uma mensagem publicada na plataforma X, Reza Pahlavi, filho do xá deposto, reagiu ao início do ataque conjunto desferido pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos no Irã. A declaração, de tom estratégico e com forte apelo político, constitui mais um movimento no tabuleiro regional que redesenha, de forma rápida e perigosa, os alicerces da diplomacia no Oriente Médio.
Segundo Pahlavi, trata-se de uma ‘intervenção humanitária’, cujo alvo é a República Islâmica, seu aparelho de repressão e sua ‘máquina de morte’, e não a grande nação do povo iraniano. A ênfase de suas palavras busca distinguir a ação militar das potências da legitimidade histórica do Irã, numa tentativa clara de preservar vínculo com a população iraniana enquanto deslegitima o regime no poder.
Em chamada direta às forças de segurança do país, o candidato à liderança política insta os militares, a polícia e as demais instituições de segurança a reconsiderarem seus juramentos. ‘Você jurou proteger o Irã e a nação iraniana, não proteger a República Islâmica e seus líderes’, afirmou, propondo uma transição ‘estável e segura’ caso as forças se unam ao povo. A mensagem carrega o peso de uma ameaça velada: quem seguir preso ao regime será ‘engolido pelo navio naufragado de Khamenei e do seu aparelho’.
Ao mesmo tempo, Pahlavi dirigiu-se ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedindo medidas máximas de precaução para salvaguardar civis e compatriotas iranianos. A recomendação é coerente com uma estratégia que visa manter o apoio internacional e, ao mesmo tempo, minimizar danos colaterais que poderiam corroer a narrativa de intervenção humanitária.
Com um tom cauteloso, Pahlavi convocou os iranianos à prudência imediata. Recomendou que permaneçam em casa por ora, mantenham-se vigilantes e prontos para voltar às ruas no momento oportuno, que ele promete coordenar por meio de redes sociais e mídia via satélite. E, caso ocorra um corte nas comunicações tradicionais, afirmou que recorrerá a ondas de rádio para manter a comunicação com a população.
Do ponto de vista geopolítico, a declaração de Pahlavi é um movimento calculado num tabuleiro de xadrez onde cada peça representa legitimidade, força e informação. Ao afirmar que ‘a República Islâmica está em colapso’, ele busca acelerar a tectônica de poder interna e internacional: enfraquecer o regime, atrair a adesão das forças de segurança e fixar a narrativa de uma transição liderada pelos próprios iranianos e apoiada pelo mundo livre.
Resta saber como irão reagir os comandos militares e as redes de poder clerical. No breve prazo, a conjuntura promete escaladas de incerteza e janelas de oportunidade estratégica. Em meio a isso, a recomendação de Pahlavi para cautela e organização interna reflete a consciência de que qualquer vácuo de autoridade pode gerar caos, e que o objetivo final — a ‘vitória final’ — depende tanto da disciplina interna quanto do apoio externo.
Seguiremos acompanhando os desdobramentos neste momento decisivo, quando as cartas estão sendo reveladas e os corredores de poder se reconfiguram sob intensa pressão.






















