Uma onda de manifestações percorre cidades dos Estados Unidos após a morte da mulher de 37 anos Renee Good, abatida por um agente das forças especiais do ICE durante uma operação de controle migratório em Minneapolis. O episódio acirrou uma tectônica de poder já frágil nas ruas e nas instituições, convertendo um fato isolado em movimento simbólico que se espalha como um redobra de influência pelo tabuleiro político.
O maior dos protestos ocorreu em Minneapolis, onde moradores ergueram um memorial improvisado com velas e flores sobre a neve para recordar Renee Nicole Macklin Good. Ao mesmo tempo, manifestações foram registradas em Nova York, Boston, Baltimore, Birmingham e outras cidades. Participantes entoavam palavras de ordem como “ICE fora agora”, enquanto a atmosfera permanecia carregada, com autoridades locais e federais em alerta.
Paralelamente, em Portland, no Oregon, uma ação de agentes federais resultou em um tiroteio que deixou duas pessoas feridas — um homem e uma mulher — e hospitalizadas. O departamento de polícia de Portland informou tratar-se de vítimas levadas ao hospital, cujas condições não foram esclarecidas publicamente. O Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que o incidente teve origem na abordagem a um integrante de uma gangue venezuelana que, segundo os agentes, teria tentado atropelar os policiais com um veículo. A narrativa oficial ainda será objeto de apurações independentes e judiciais.
Em meio ao tumulto, o governador do Minnesota, Tim Walz, declarou o dia 9 de janeiro como “Dia da Unidade” para honrar a memória de Renee Good. Walz convocou um minuto de silêncio às 10 horas para que a população do estado e cidadãos de todo o país pudessem se reunir symbolicamente em luto e solidariedade. Em seu comunicado, insistiu na necessidade de manifestações pacíficas e de apoio comunitário em “um momento de dor”.
Do ponto de vista político, a repercussão ultrapassou os limites estaduais. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, declarou, em entrevista à CNN, que a morte de Renee Good configura um “homicídio” e criticou com veemência as operações de fiscalização do ICE, qualificando-as como “cruéis e desumanas”. Mamdani informou ainda ter transmitido sua preocupação diretamente ao presidente, reforçando o impacto federal da crise.
Documentos judiciais, segundo apurações, apontam o nome do agente do ICE envolvido no caso: Jonathan E. Ross. Morador de Minneapolis, Ross integraria há dez anos a equipe de resposta especial das operações de deportação da agência e teria sido mencionado em um episódio anterior ocorrido em junho de 2025, em Bloomington, Minnesota. As autoridades federais, contudo, ainda não confirmaram oficialmente a divulgação de seu nome, o que cria uma lacuna entre registros judiciais e comunicados institucionais.
Como analista de geopolítica, vejo neste episódio um movimento decisivo no grande tabuleiro nacional: não se trata apenas de um choque policial, mas de um redesenho de fronteiras invisíveis entre segurança, direitos civis e legitimidade institucional. As reações — do memorial silencioso à mobilização nas ruas — sinalizam que os alicerces da diplomacia interna e da ordem pública estão sendo testados.
A investigação continuará enquanto as vozes públicas e os movimentos de base demandam respostas. A tensão permanece, e o equilíbrio entre ordem e protesto, entre autoridade federal e governança local, segue sendo disputado em múltiplas frentes.
Fonte: RaiNews — https://www.rainews.it/maratona/2026/01/uccisione-renee-good-forze-speciali-ice-minneapolis-proteste-a56b29f1-ccb0-4aa3-bd96-024d34511b7c.html






























