Por Marco Severini — A polícia britânica anunciou na noite de hoje que o Príncipe Andrew (Andrew Mountbatten-Windsor) foi detido e posteriormente liberado sob inquérito após permanecer horas retido sob a acusação de má conduta no exercício de função pública. A breve nota da Thames Valley Police informou que as buscas em Sandringham, na propriedade real de Norfolk, estão concluídas e que diligências em sua antiga residência no complexo de Windsor permanecem em curso.
Segundo relatos — e reconstruções da imprensa britânica — a detenção ocorreu na residência do seu irmão, o rei Charles III, no dia do 66º aniversário de Andrew. Fotografias e testemunhos apontam para um comboio de viaturas policiais, algumas à paisana, que se deslocaram até a propriedade real nas primeiras horas do dia, levando o então detido para interrogatório.
Em declaração difundida após o episódio, o próprio rei reafirmou o compromisso com o Estado de Direito: a lei «deve seguir o seu curso», disse Charles III, e garantiu que a família real dará «apoio e cooperação» às autoridades competentes, salvaguardando, ao mesmo tempo, o desempenho continuado das suas funções públicas.
Fontes investigativas informam que Andrew ainda não foi formalmente ouvido sobre um conjunto de alegações que inclui tráfico sexual e uso indevido de prerrogativas do cargo como enviado comercial do Reino Unido. Entre as acusações há também menções a possíveis transferências de informações sensíveis e à introdução clandestina de uma mulher em locais oficiais, com ligações à figura do pedófilo Jeffrey Epstein e ao seu alegado jato privado, conhecido informalmente como “Lolita Express”. O ex-príncipe nega qualquer irregularidade.
O movimento policial marca um ponto crucial neste capítulo do caso Epstein que já redesenhou fronteiras invisíveis dentro da monarquia britânica — desde a perda de privilégios formais por parte de Andrew até o seu reassentamento em Sandringham após ter sido afastado da Royal Lodge, em Windsor.
Do ponto de vista geopolítico e institucional, trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro: uma potência simbólica, a coroa, enfrenta agora investigações que atingem o seu segundo escalão. Atectônica de poder no interior da Casa Real não é apenas uma questão de imagem, mas de procedimentos legais e de estabilidade institucional em Londres e no exterior, com possíveis reverberações diplomáticas.
As autoridades da Thames Valley comunicaram que as operações locais foram encerradas e que as investigações prosseguem com diligência, enquanto a família real se mantém à frente das suas obrigações públicas. Resta aguardar os próximos passos — intimações formais, eventuais entrevistas e possíveis desdobramentos judiciais — num processo que promete ser longo e meticuloso.
Como analista, observo que a conjugação entre necessidade de transparência jurídica e preservação da estabilidade institucional traça um delicado equilíbrio: as peças se movem no tabuleiro, cada ação tem consequências em múltiplas frentes, e a Casa de Windsor terá de gerir tanto a legalidade quanto a legitimidade simbólica perante a opinião pública global.






















