Washington, 3 de março de 2026 — Nesta terça-feira, o estado da Texas entra em um movimento decisivo no tabuleiro político nacional: as primárias que inauguram o ciclo das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Em uma disputa que combina alta tensão e gastos recordes, o senador republicano em exercício, John Cornyn, enfrenta o desafio mais grave de sua carreira dentro do próprio partido, enquanto do outro lado os democratas acompanham com interesse o embate entre James Talarico e Jasmine Crockett, ambos aspirantes a conquistar uma vitória estatal histórica para o seu partido.
O cenário texano assume significado estratégico para o controle do Congresso. Para o establishment republicano, o assento de Cornyn era considerado um alicerce seguro; hoje, porém, o terreno está instável. Nas pesquisas compiladas pelo Decision Desk HQ, Ken Paxton, atual procurador-geral do Texas e figura proeminente do movimento MAGA, aparece à frente com 39% contra 35% de Cornyn. Como nenhum dos dois ultrapassou a barreira dos 50%, um segundo turno está projetado para 26 de maio. O terceiro nome significativo na disputa, o deputado Wesley Hunt, figura com cerca de 17% e, por ora, fora do páreo.
O confronto dentro do Partido Republicano é, além de uma batalha por votos, uma demonstração da tectônica de poder entre ala tradicional e ala mais populista. Paxton, apesar de envolvimentos em escândalos financeiros, surfou na onda MAGA e galvanizou uma base ativa; Cornyn, por sua vez, tenta costurar apoios entre os eleitores moderados e os financiadores que já desembolsaram cifras substanciais para sua defesa política.
A corrida em solo texano já entrou nos livros como uma das mais dispendiosas da história recente: segundo dados da AdImpact, mais de US$ 128 milhões foram gastos em publicidade apenas nesta etapa, sendo que cerca de US$ 70 milhões canalizados para a campanha de Cornyn. O gasto total dos republicanos supera em mais de três vezes o dos democratas, um reflexo da prioridade atribuída ao assento.
No campo democrata, o duelo entre James Talarico e Jasmine Crockett atrai atenções por motivos distintos. Ambos representam a esperança de conquistar, pela primeira vez em décadas, uma vitória estadual significativa para o Partido Democrata no Texas. Foi o que observou o consultor republicano texano Vinny Minchillo ao denominá-las como um sinal de primárias competitivas em ambos os lados, algo que não se via há uma geração.
Minchillo, em declaração ao The Hill, adotou um tom pragmático: se o embate final fosse entre Cornyn e Talarico ou Crockett, a vantagem aparente seria de Cornyn. Ainda assim, a presença de Paxton como possível adversário nas gerais reacende a esperança democrata e altera o cálculo de risco dos conservadores. Importa salientar que o ex-presidente Donald Trump — cujas preferências são decisivas para parte do eleitorado conservador — declarou apoio verbal ao alinhamento MAGA, mas até o momento não endossou oficialmente nenhum dos candidatos republicanos.
As primárias do Texas funcionam, portanto, como um teste de elegibilidade e mensagem para novembro: quem emerge com a nomeação definirá não apenas a disputa local, mas dará pistas sobre as dinâmicas nacionais que poderão dominar as campanhas pelo controle do Congresso. A afluência antecipada já registrou um aumento significativo, e os estrategistas observam os fluxos de voto como indicadores de mobilização partidária para o restante do ano.
Em termos geopolíticos e de estabilidade interna, a chapa texana reflete um redesenho de fronteiras invisíveis entre correntes conservadoras e moderadas. Como em uma partida de xadrez de alto nível, cada movimento — desde o gasto em mídia até o eventual endosso presidencial — representa uma tentativa de controlar espaços críticos no tabuleiro nacional. A expectativa é que o resultado das primárias envie sinais claros sobre a direção que o Partido Republicano e o Partido Democrata pretendem adotar rumo às eleições de novembro.
Marco Severini — Espresso Italia






















