Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, com prudência e tensão, os alicerces da diplomacia internacional, o Pentágono apresentou ao presidente Donald Trump uma lista ampliada de opções militares contra o Irã, segundo reportagem do New York Times citada por diversas fontes americanas.
O documento inclui alternativas para atingir com maior precisão os sítios associados aos programas nuclear e balístico iranianos. Entre as possibilidades apresentadas estão ataques direcionados a instalações e a ações que visam enfraquecer politicamente o líder supremo, Ali Khamenei. A amplitude das propostas, além das medidas que vinham sendo consideradas nas últimas semanas, representa um deslocamento significativo no tabuleiro estratégico.
Fontes consultadas pelo jornal indicam que as opções agora contemplam também incursões de forças americanas em locais dentro do território iraniano — medidas que excedem o repertório de ações até então discutido como instrumentos de pressão para interromper a repressão às manifestações internas. Em linguagem de comando, trata-se de ampliar as linhas de ação capazes de degradar capacidades militares e, eventualmente, gerar efeitos políticos de maior alcance.
Em consonância com o que foi informado, o presidente avalia, com seus conselheiros, a hipótese de autorizar uma intervenção militar que, em casos extremos, poderia visar a uma mudança de governo. Este cenário, embora explicitado em termos de capacidade, não significa que seja a opção imediata: Trump permanece, segundo as mesmas fontes, aberto a soluções diplomáticas, mantendo assim uma saída negociada no conjunto de escolhas.
Analiticamente, a estratégia proposta pelo Pentágono lembra um movimento de xadrez em que se amplia o raio de ataque para criar múltiplos nexos de pressão — não apenas sobre ativos materiais, mas também sobre cadeias políticas e de comando. Ao mesmo tempo, esse tipo de proposta carrega o risco de catalisar uma tectônica de poder mais instável na região, com repercussões para aliados e rivais.
O contexto político interno dos Estados Unidos e a referência a modelos anteriores de pressão externa — como o tratamento dado à crise na Venezuela — ajudam a explicar a vontade de manter opções robustas na mesa. Mais que uma simples escalada militar, estamos diante de uma escolha estratégica sobre como empregar alavancas de poder que podem redesenhar fronteiras invisíveis da influência regional.
Como analista, insisto na necessidade de ponderação: qualquer ação militar de maior envergadura requer clareza de objetivos, avaliação dos custos políticos e militares, e planos de contingência para as consequências regionais. No tabuleiro geopolítico, movimentos decisivos exigem não apenas força, mas também capacidade de sustentar as consequências diplomáticas que se seguirão.
O relato do New York Times não indica que uma decisão final tenha sido tomada, mas deixa explícita a expansão das possibilidades avaliadas em Washington — um sinal de que o governo americano está disposto a manter abertas as vias — seja da coercitividade militar, seja da diplomacia — conforme se desenrolarem os eventos.






















