Por Marco Severini — Em um novo capítulo da tensão entre as grandes potências e o Oriente Médio, fontes do Wall Street Journal revelam que o Pentágono transmitiu ao presidente Donald Trump preocupações substantivas sobre os custos e os riscos de uma campanha militar estendida contra o Irã. O tom das deliberações, segundo oficiais consultados, foi de advertência cautelosa: as opções militares avaliadas vão desde ataques iniciais limitados até operações aéreas prolongadas que, no extremo, poderiam visar a substituição do regime.
Os alertas foram em grande parte articulados pelo general Dan Caine, presidente do Estado‑Maior Conjunto, em reuniões internas do Departamento de Defesa e do Conselho de Segurança Nacional. O núcleo da mensagem militar foi claro: uma campanha prolongada pode gerar um preço estratégico elevado — vítimas entre os Estados Unidos e aliados, defesa aérea fragilizada, e uma força militar sobrecarregada.
Do ponto de vista logístico e de suprimentos, os oficiais do Pentágono chamaram atenção para o escoamento de recursos críticos. A utilização massiva de munições para operações de defesa aérea e ataques de precisão poderia exaurir estoques cujo reabastecimento não é imediato, criando uma vulnerabilidade sistêmica que, em última instância, afetaria a capacidade de resposta americana em outros teatros, notadamente frente à China.
Essas preocupações, segundo os relatos, pesam nas decisões presidenciais porque o general Caine é considerado por muitos um conselheiro de confiança do presidente. Ainda assim, os oficiais – citados pelo WSJ – asseguram que Trump não teria tomado uma decisão final. Enquanto isso, os Estados Unidos deslocaram a maior concentração de poder aéreo no Oriente Médio desde a guerra do Iraque em 2003, incluindo um grupo de ataque de porta‑aviões, e uma segunda unidade naval de grande porte foi posicionada no Mediterrâneo.
A porta‑voz da Casa Branca, Anna Kelly, defendeu o lugar do general Caine na equipe de segurança nacional: “O general Caine é um membro talentoso e muito estimado do time de segurança nacional do Presidente Trump. O Presidente ouve uma multiplicidade de opiniões e decide com base no que considera melhor para a segurança nacional dos Estados Unidos”.
Paralelamente à pressão militar, a administração continua a negociar um possível acordo com Teerã que, nas palavras dos americanos, poderia obstruir o caminho iraniano rumo à arma nuclear — um objetivo que as lideranças iranianas repetidamente negam perseguir — além de limitar o programa de mísseis balísticos e o apoio de Teerã a milícias regionais como Hezbollah e Hamas. O próximo encontro de interlocução diplomática está previsto para quinta‑feira em Genebra.
Como analista veterano das relações internacionais, enxergo essas movimentações como um movimento decisivo no tabuleiro: há escolhas estratégicas que não apenas afetam o teatro imediato, mas redesenham fronteiras invisíveis de influência e capacidade militar. Forçar uma campanha estendida seria, na prática, testar os alicerces frágeis da diplomacia e da logística militar americana — uma jogada que pode ganhar terreno momentâneo, mas cujo custo tectônico poderia comprometer a postura global dos Estados Unidos por anos.
O dilema é clássico da Realpolitik contemporânea: equilibrar a demonstração de poder com a preservação da capacidade de intervenção futura. Em termos estratégicos, a opção por um conflito limitado e calibrado, combinada com esforços diplomáticos em Genebra, permanece o caminho que melhor conserva simultaneamente legitimidade política e reservas operacionais.
Fontes: Wall Street Journal; declarações oficiais da Casa Branca e do Departamento de Defesa.






















