Por Marco Severini — Em um movimento decisivo no tabuleiro tecnológico global, NVIDIA (NASDAQ: NVDA) anunciou resultados robustos referentes ao quarto trimestre encerrado em 25 de janeiro de 2026. A empresa reportou receita de US$68,1 bilhões, um crescimento de 20% em relação ao trimestre anterior e de 73% na comparação anual. Para o exercício fiscal de 2026, a companhia registrou receitas totais de US$215,9 bilhões, um salto de 65% ano a ano.
Os indicadores de margem também permaneceram elevados: as margens brutas GAAP e non-GAAP foram, respectivamente, 75,0% e 75,2% no trimestre. No agregado do exercício fiscal 2026, as margens brutas GAAP e non-GAAP ficaram em 71,1% e 71,3%.
O lucro por ação diluído apresentou números expressivos, com GAAP em US$1,76 e non-GAAP em US$1,62 no trimestre. No acumulado do exercício fiscal, o EPS diluído foi de US$4,90 (GAAP) e US$4,77 (non-GAAP).
O motor dessa expansão continua sendo o segmento Data Center, que atingiu receita recorde de US$62,3 bilhões no trimestre — alta de 22% sequencial e 75% em base anual. Segundo o fundador e CEO, Jensen Huang, o ponto de inflexão da AI agentiva já se consolidou: plataformas como Grace e Blackwell interligadas por NVLink estão estabelecendo referências para inferência, reduzindo dramaticamente o custo por token, e novas arquiteturas como Vera Rubin prometem ampliar essa liderança.
Em linguagem de Estado-Maior: clientes empresariais estão deslocando capitais para ampliar capacidade de computação — as fábricas que alimentam a revolução industrial da AI estão em plena operação. No exercício fiscal, a NVIDIA retornou US$41,1 bilhões aos acionistas por recompras de ações e dividendos em dinheiro; restavam, ao fim do quarto trimestre, US$58,5 bilhões disponíveis dentro da autorização de recompra.
O próximo dividendo trimestral em dinheiro foi anunciado em US$0,01 por ação, com pagamento em 1º de abril de 2026 aos acionistas registrados em 11 de março de 2026.
Em uma alteração de política de apresentação, a partir do primeiro trimestre do exercício fiscal de 2027 a NVIDIA incluirá as despesas de compensação baseada em ações nas medidas financeiras non-GAAP, reconhecendo que esse item é estrutural para atrair e reter talentos de nível mundial.
Para o primeiro trimestre do exercício fiscal 2027, a companhia projetou receita de US$78,0 bilhões, com margem de erro de +/-2%. A empresa ressalta que sua previsão não incorpora receitas de Data Center na China. As margens brutas GAAP e non-GAAP previstas são, respectivamente, 74,9% e 75,0% (mais ou menos 50 pontos-base), incluindo um impacto estimado de 0,1% advindo da compensação baseada em ações. As despesas operacionais GAAP e non-GAAP foram estimadas em US$7,7 bilhões e US$7,5 bilhões, respectivamente, dos quais cerca de US$1,9 bilhão correspondem a compensação em ações. A alíquota fiscal projetada para o exercício fiscal de 2027 situa-se entre 17,0% e 19,0% (excluindo itens discricionários e mudanças fiscais materiais).
Do ponto de vista geopolítico e estratégico, essa performance reafirma a posição de NVIDIA no núcleo duro da cadeia de valor da tecnologia de ponta. A concentração de receitas em infraestrutura de Data Center redesenha fronteiras invisíveis entre fornecedores de nuvem, fabricantes de servidores e estados que disputam capacidade de processamento. Em termos de poder, a companhia não apenas movimenta peças no tabuleiro econômico — ela define as casas onde outras nações e empresas são forçadas a se posicionar.
Observando a tectônica de poder, a ausência intencional de previsão de receitas da China no guidance é um sinal prudente: há riscos regulatórios e de cadeia de suprimentos que exigem cautela. A inclusão da compensação acionária nas métricas non-GAAP é também um reconhecimento de que talento sofisticado é insumo estratégico, não mero custo operacional.
Em suma, NVIDIA fecha 2026 com alicerces financeiros robustos e uma vantagem tecnológica que, por ora, parece difícil de ser contestada. No entanto, como em uma partida de xadrez entre grandes potências, manter a vantagem exigirá movimentos cuidadosos: investimentos contínuos em infraestrutura, gestão de relações com mercados e previsibilidade regulatória.






















