Por Marco Severini — A recente reabertura do caso Epstein e o detido episódio envolvendo Andrew Mountbatten-Windsor reacenderam um enigma que vinha se desenhando em silêncio há meses: o paradeiro e a situação de Sarah Ferguson, a ex-duquesa de York. O quadro que se forma tem a natureza de um movimento estratégico no tabuleiro internacional — mais cartografia de evasão do que rota definitiva.
O último registro público confirmado de presença da duquesa data de 25 de setembro do ano passado, quando foi fotografada deixando a antiga residência conjugal na propriedade de Windsor. Desde então, e sobretudo depois do episódio dramático desta semana — a detenção de Andrew Mountbatten-Windsor em Wood Farm, Sandringham, no dia do seu 66º aniversário, onde permaneceu retido por cerca de 12 horas — multiplicaram-se especulações sobre a ausência de Sarah Ferguson do cenário público.
Fontes de imprensa, incluindo o Mirror, descrevem consequências «catastróficas» para a ex-duquesa e para as filhas — Eugenie e Beatrice — após a nova repercussão do inquérito. As duas princesas, segundo relatos, estariam profundamente abaladas com a detenção reciente do pai.
As hipóteses acerca do paradeiro de Sarah Ferguson variam entre o habitual exílio tático e a busca por um santuário financeiro. Foi ventilado que parte do seu refúgio semiprivado poderia ser o Portogallo, onde sua filha Eugenie passa temporadas com a família. Alternativamente, tomaram força relatos que a colocam nos Emirados Árabes Unidos ou em outro Estado do Golfo — regiões em que a família York mantém ligações antigas e onde a busca por oportunidades de rendimento é frequente quando o centro do poder se desloca.
O biógrafo Andrew Lownie, autor de “The Rise and Fall of the House of York”, afirmou crer que a ex-duquesa se encontra no exterior, lembrando a «prática» da senhora Ferguson de cruzar fronteiras em momentos de tensão. A imagem que se desenha é a de um deslocamento protegido «às costas de um amigo abastado», expressão que sublinha a geometria dos refúgios privados no universo das elites.
Uma evidência documental que interessa ao dossier é a recente solicitação de cancelamento de seis sociedades nas quais Sarah Ferguson figurava como única diretora. Registros identificados pelo tablóide People indicam pedidos de exclusão na Companies House para: S. Phoenix Events Limited, Fergie’s Farm, La Luna Investments, Solamoon Limited, Philanthrepreneur Limited e Planet Partners Productions Limited. Essa limpeza de registos corporativos sugere um redesenho de alicerces patrimoniais e operacionais — movimento típico quando se quer reduzir exposição pública.
Em paralelo, o Grupo Virgin emitiu comunicado negando que a ex-duquesa estivesse na ilha de Necker, no Caribe, propriedade de Richard Branson — esclarecimento importante, porque elimina uma rota que havia sido aventada entre os possíveis refúgios.
Nas redes sociais, intensificaram-se comparações entre Sarah Ferguson e Meghan Markle: ambas vistas como outsiders catapultadas para a família real, ambas criticadas por seu relacionamento com o capital e os meios de comunicação. Tais analogias, no entanto, simplificam uma tectônica de poder muito mais complexa — onde laços familiares, ambições pessoais e pressões judiciais se combinam para forjar trajetórias distintas.
Enquanto a investigação sobre os fatos ligados ao caso Epstein avança e as autoridades britânicas continuam a trabalhar, o que se observa é um redesenho discreto de presença e de estruturas administrativas no entorno da família York. Do ponto de vista estratégico, essa ausência pública de Sarah Ferguson funciona como um movimento defensivo: evita o foco mediático direto, reduz vetores de risco e permite reorganizar posições fora do tabuleiro visível.
Resta, portanto, ao observador atento decifrar os próximos lances: se serão de retorno, confronto público ou reconfiguração discreta de interesses. No momento, o que se confirma é a incerteza e a multiplicação de hipóteses plausíveis — todas elas apontando para um redirecionamento das fronteiras da influência e da exposição pública.






















