Por Marco Severini – Espresso Italia
O deputado republicano norte-americano Thomas Massie colocou ordem numa especulação que vinha crescendo como uma ameaça à estabilidade reputacional de um político italiano: o Nicola Caputo mencionado em um dos documentos dos chamados Epstein files não seria o mesmo Nicola Caputo que exerceu mandato como eurodeputado pela Itália entre 2014 e 2019. A declaração de Massie busca encerrar um mal-entendido que operava como uma peça deslocada num tabuleiro sensível, com consequências públicas potenciais.
Segundo o parlamentar republicano, o elemento decisivo que afasta a identidade entre os dois nomes é o ano de nascimento presente no ficheiro codificado EFTA00077895. O registro censurado aponta para um homem com mais de dez anos a mais do que o ex-eurodeputado campano — um detalhe que, em termos práticos, desloca a hipótese para a faixa dos setenta anos, tornando improvável a coincidência com o político de Teverola (Caserta).
O próprio Nicola Caputo de Teverola havia manifestado preocupação logo após seu nome surgir associado a uma lista mais ampla de pessoas citadas pelos deputados Thomas Massie e Ro Khanna, que afirmaram que documentos do Departamento de Justiça (DOJ) teriam censurado nomes de seis homens poderosos supostamente relacionados a atividades ligadas a Jeffrey Epstein. Caputo reagiu de forma imediata: “Não sou eu, nunca estive em nenhuma ilha” — frase que visava prevenir uma condenação pública sumária antes de qualquer verificação documental.
Na mesma leva de nomes mencionados entre os arquivos, figuravam indivíduos como um provável italo-americano identificado como Salvatore Nuara, o magnata Leslie Wexner, o empresário Sultan Ahmed Bin Sulayem e outras figuras internacionais como Zurab Mikeladze e Leonov — nomes que compõem um panorama geopolítico e econômico cuja presença nos ficheiros exige rigor investigativo, não conjectura midiática.
Do ponto de vista estratégico, esta retirada de suspeita sobre o ex-eurodeputado italiano ilustra duas lições claras: primeiro, a fragilidade das reputações diante de menções não verificadas; segundo, a importância de procedimentos formais na validação de identidades quando o jogo envolve nomes dissonantes no grande tabuleiro transnacional. A diplomacia da informação exige alicerces sólidos — um ano de nascimento ou um documento codificado podem ser, em determinados momentos, o que separa a acusação infundada da realidade.
Massie utilizou a plataforma X para expor o ponto técnico da divergência etária. A mensagem reafirma a necessidade de cautela jornalística e institucional diante de arquivos sensíveis e parciais. A replicação precipitada de identidades, especialmente quando envolvidas acusações de natureza criminal, transforma o espaço público num terreno pantanoso, onde movimentações imaturas podem causar danos irreparáveis.
Permanece, contudo, o tema maior: a investigação sobre as conexões de Jeffrey Epstein e as potenciais omissões ou censuras do Departamento de Justiça norte-americano que, segundo Massie e o democrata Ro Khanna, teriam obscurecido nomes de indivíduos influentes. Esse é um movimento que redesenha fronteiras invisíveis entre poder econômico e responsabilidade pública, e que continuará a exigir escrutínio atento de instituições, imprensa e diplomacia.
Em suma, no desenho atual do caso, o que se tem é um episódio de omonímia — um deslocamento crucial que, por ora, preserva a integridade do ex-eurodeputado e reforça o princípio básico da investigação: antes de expor um nome ao tribunal da opinião pública, confirme-se a identidade com documentos que não deixem dúvidas.



















