Por Marco Severini — Em um gesto que reflete a gravidade dos alicerces diplomáticos e a frágil tectônica de poder que marca algumas regiões do globo, celebra-se o quinto aniversário da morte do embaixador Luca Attanasio, do carabinieri escolhido Vittorio Iacovacci e do motorista Mustapha Milambo. A data convoca não apenas lembrança emocional, mas uma leitura estratégica sobre o risco e o dever que acompanham a presença italiana em teatros de crise, como a República Democrática do Congo.
O Presidente da República, Sergio Mattarella, endereçou uma mensagem ao prefeito de Limbiate, Antonio Domenico Romeo, e à família do embaixador, relembrando que a iniciativa de comemoração “tem o propósito de reafirmar, com profunda commozione, la più sentita vicinanza della Repubblica ai familiari delle vittime e all’intera comunità”. Na nota, Mattarella sublinha que “nel drammatico scenario di crisi che ancora funesta la República Democratica do Congo, il ricordo dell’Ambasciatore Attanasio e della sua missione resta quanto mai esemplare”.
O Presidente qualificou a dedicação de Luca Attanasio como encarnação dos nobres ideais da Itália republicana, que olha para o continente africano “con spirito di cooperazione e sentimenti di umanità”. Ressaltou também o valor do compromisso diário dos servidores da República que, “con coraggio e senso del dovere”, atuam em territórios marcados por instabilidade e perigo — uma observação que, na linguagem da estratégia, identifica o custo real do posicionamento diplomático num tabuleiro geopolítico complexo.
As manifestações organizadas pelo município de Limbiate foram descritas por Mattarella como “un giusto tributo a chi è caduto nell’adempimento del dovere”. Fez questão de agradecer aos organizadores e aos presentes, afirmando sua convicção de que o “sacrificio dell’Ambasciatore Attanasio e di chi lo accompagnava rimarrà patrimonio vivo della memoria collettiva di ciascuno”.
Em palavras que aliam intimidade e determinação, Zakia Seddiki, esposa de Luca Attanasio e fundadora da associação humanitária Mama Sofia, relatou: “Il 22 febbraio 2021 la nostra vita è cambiata per sempre. Mio marito Luca ci ha lasciati mentre stava svolgendo il suo servizio, insieme al carabiniere Vittorio Iacovacci e all’autista Mustapha Milambo.” Zakia evocou o legado imaterial deixado por Attanasio — valores, respeito pelo outro, fé no diálogo e na construção de pontes — e definiu o luto como processo de transformação, no qual permanece “il suo esempio, la sua umanità, il suo sorriso”.
Ao reiterar que “non c’è un solo giorno in cui Luca non sia nei miei pensieri”, Zakia enfatizou o compromisso cotidiano da família em manter vivos os princípios que nortearam a ação do embaixador: a paz construída com responsabilidade, gestos simples e coragem cívica. É um testemunho que, em termos estratégicos, traduz-se num investimento simbólico continuado — um projeto de soft power ancorado em valores humanos.
Como analista que observa o movimento das peças no tabuleiro internacional, vejo nesta memória uma lição dupla: por um lado, a necessidade de proteger quem atua em zonas instáveis; por outro, a confirmação de que o capital moral gerado por figuras como Luca Attanasio é um recurso político e diplomático de longa duração. O sacrifício pessoal converte-se, assim, em patrimônio vivo que orienta políticas, molda percepções e redesenha, discretamente, fronteiras de influência.
Que a lembrança do embaixador e de seus acompanhantes inspire decisões mais prudentes e solidárias, sustentadas por uma arquitetura da cooperação que preserve vidas e promova estabilidade. Nesta data, a República e a comunidade internacional são convidadas a refletir — com a calma e a precisão de um movimento decisivo no tabuleiro — sobre o equilíbrio entre risco e responsabilidade na construção da paz.





















