Por Marco Severini — Em um movimento que sintetiza a diplomacia ceremonial e a tectônica de poder contemporânea, o vice‑presidente dos Estados Unidos, JD Vance, desembarcou no aeroporto de Malpensa às 10h30 desta quinta‑feira, a bordo do Air Force Two. A comitiva, que lidera a delegação presidencial americana aos Jogos Olímpicos de Inverno Milano‑Cortina 2026, chegou acompanhada da esposa, Usha, que chamou atenção ao usar um suéter com os cinco anéis olímpicos, e dos filhos.
Após o pouso, a delegação foi escoltada por um cortejo de veículos oficiais até um hotel em Gallarate, de onde partirá para a capital lombarda nas cerimônias programadas. A chegada, discreta mas coreografada, reforça o papel do protocolo como linguagem de Estado: movimentos no tabuleiro que, embora simbólicos, desenham e reafirmam eixos de influência.
Nas redes sociais, a chegada foi registrada pela Secretaria de Imprensa da vice‑presidência. O tuíte publicado pela porta‑voz Taylor Van Kirk mostrou a família chegando a Milão e reforçou a imagem de unidade da chamada “Second Family” presente ao evento. Fotografias e filmagens do desembarque deverão acompanhar a agenda pública do vice‑presidente até a cerimônia inaugural, prevista para a noite desta sexta‑feira no estádio San Siro.
Na mesma manhã, também aterrissou em Malpensa o voo com o secretário de Estado norte‑americano, Marco Rubio, igualmente anunciado entre os representantes de alto nível dos EUA que participarão da cerimônia de abertura em Milão. A presença simultânea do vice‑presidente e do chefe da diplomacia americana sublinha a relevância política do evento, que, além do aspecto esportivo, é palco para demonstrações de prestígio e redesenho de interlocuções internacionais.
Como analista, observo este deslocamento como um movimento estratégico no grande tabuleiro euro‑atlântico: a participação de lideranças americanas de alto escalão em um evento multiliteral de visibilidade global funciona tanto como gesto de apoio às cidades anfitriãs quanto como um lembrete de presença numa cena onde as arquiteturas de influência estão sendo recalibradas. A logística — chegada a Malpensa, alojamento em Gallarate, deslocamento para Milão — segue a cartografia precisa de um protocolo que evita rupturas e controla narrativas.
Os próximos passos incluem a participação oficial na cerimônia de abertura no San Siro, evento que concentrará chefes de Estado, autoridades e emissões simbólicas que reverberam além do espetáculo esportivo. Em contextos assim, cada gesto é um lance: a escolha dos acompanhantes, o vestuário, a composição da delegação — todos fazem parte de uma partitura diplomática cuidadosamente ensaiada.
Seguiremos acompanhando os desdobramentos da agenda americana em Milão, com especial atenção às interações protocoladas e aos sinais políticos emitidos nas cerimônias públicas, que, modestamente, são peças fundamentais na arquitetura das relações internacionais contemporâneas.






















