Por Marco Severini — Em uma exposição sóbria perante o Senado, o ministro dos Negócios Estrangeiros relatou a dimensão do desafio humanitário e logístico que a Itália enfrenta na região: atualmente há mais de 70 mil cidadãos italianos presentes no Médio Oriente, entre residentes estáveis — quase 80% do total — e visitantes temporários. Destacam-se, neste quadro, cerca de 30 mil pessoas apenas em Dubai e Abu Dhabi, epicentros da presença italiana nos Emirados Árabes Unidos.
Comunidades relevantes também se concentram na Arábia Saudita, no Kuwait, em Omã e no Barém. Em Israel vivem ao redor de 20 mil titulares de passaporte italiano, enquanto no Irã residem pouco menos de 500 compatriotas, a maioria com residência fixa.
O quadro operacional mais intenso está em Dubai e Abu Dhabi, onde o fechamento do espaço aéreo provocou a paralisação do tráfego. A Farnesina, por meio de sua Unidade de Crise, tem priorizado a organização de voos a partir de Muscate e a criação de verdadeiros corridoios e redes consulares para transferir italianos a países com disponibilidade de ligações aéreas. Entre as rotas indicadas estão: de Dubai e Abu Dhabi para Omã; do Barém e Catar para a Arábia Saudita; e conexões estratégicas rumo à Índia, Tailândia e Sri Lanka.
Nos principais aeroportos da região foram montados balcões de assistência com funcionários de embaixadas e consulados, destinados a orientar e apoiar os compatriotas. A Farnesina também trabalha na evacuação de turistas das Maldivas que teriam passado por Dubai, e presta assistência aos que transitam por hubs como New Delhi e Colombo.
Sobre o Irã, o ministro afirmou que, até o momento, não foram recebidos pedidos formais de evacuação, mas garantiu que o ministério está pronto a agir se necessário. Desde janeiro houve um revezamento no efetivo da embaixada em Teerã e atualização das medidas de evacuação para cidadãos e pessoal do Sistema Itália. Em cenários de agravamento, está previsto um comboio capaz de partir da capital em poucas horas, e ônibus já foram posicionados no lado azeri da fronteira.
No plano militar, mais de trezentos oficiais da Força Aérea italiana estão baseados no Kuwait, onde houve impacto de mísseis iranianos; os militares encontram-se seguros em abrigos e ilesos, conforme relatado. Um projétil também caiu próximo a uma base no Iraque, na área do Curdistão iraquiano, sem consequências para os nossos contingentes. As forças italianas destacadas no Líbano, na Jordânia e em outras áreas de emprego continuam em segurança.
Do ponto de vista estratégico, esta operação combina logística consular e capacidade de pressão diplomática: é um movimento decisivo no tabuleiro que exige coordenação entre embaixadas, aliados regionais e rotas de trânsito alternativo. A criação de corridoios e postos de apoio nos aeroportos revela os alicerces práticos da diplomacia — frágeis quando o espaço aéreo se fecha, mas resilientes quando as redes consulares e militares funcionam em sinergia.
Em suma, a Itália pratica uma diplomacia de campo: mitigando riscos imediatos aos cidadãos enquanto preserva relações e prontidão operacional para um redesenho de fronteiras invisíveis no equilíbrio regional.






















