Por Marco Severini — A tensão no Oriente Médio alcança novo patamar estratégico. Em um movimento que lembra um movimento decisivo no tabuleiro, Tel Aviv intensifica a pressão sobre Washington para autorizar um ataque contra instalações iranianas, ao passo que os Estados Unidos, acompanhados pelo Reino Unido, consolidam um desdobramento militar na Jordânia e no Catar. Fontes regionais e meios israelenses sugerem que esse aparente alinhamento de forças poderá permitir um ataque em janelas temporais muito próximas.
Relatos de canais como Channel 13 e KANN indicam que as Forças de Defesa de Israel elevaram a prontidão e completaram preparativos considerando a hipótese de uma ação americana. Segundo essas fontes, o pleno desdobramento de meios aéreos e navais norte-americanos na região deveria concluir-se em cerca de 24 horas, momento a partir do qual a decisão final dependerá exclusivamente das escolhas políticas de Washington.
Ao mesmo tempo, a administração Trump adota uma postura dual: por um lado, prossegue com o envio de aeronaves e navios para o teatro, por outro, mantém canais de negociação com Teerã, buscando um compromisso que inclua a redução do arsenal míssil e das capacidades nucleares iranianas. Em um sinal verbal de escalada, circulou a declaração dirigida pela Casa Branca ao líder supremo Ali Khamenei: “Sabemos onde você se abriga”, frase que ecoa tanto como aviso quanto como elemento de pressão psicológica.
No plano interno israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está conduzindo reuniões de segurança em formato “multi-arena”, envolvendo comandantes militares e chefes de serviços de inteligência — uma clara preparação para diferentes cenários, desde operações cirúrgicas até respostas a eventuais contra-ataques de Teerã. Em Israel, os sistemas de defesa aérea foram postos em alerta máximo e gabinetes de segurança têm se reunido de modo repetido para articular planos de contingência civil e militar.
Analistas ocidentais e regionais descrevem um mosaico tático em três frentes para pressionar Teerã: medidas econômicas e sanções, operações de influência e penetração de redes de dissidência, e a ameaça — ou emprego — de força militar. Esse roteiro, amplamente debatido em publicações especializadas, transforma a confrontação em um processo escalonado, onde cada camada tende a fortalecer a justificativa da seguinte.
Do ponto de vista estratégico, o quadro é de tensão calibrada: os movimentos de equipamentos e tropas formam uma cartografia móvel que redesenha, de forma táctil, as fronteiras invisíveis da influência regional. A possibilidade de um ataque a instalações como a usina de Fordow tem sido mencionada por analistas e fontes não oficiais, o que eleva o risco de uma resposta iraniana contra ativos israelenses e interesses ocidentais na região.
Enquanto isso, diplomatas e responsáveis por serviços de inteligência insistem na necessidade de cautela. A história ensina que ações precipitadas num teatro tão complexo podem gerar uma onda de convulsões — a tectônica de poder aqui é delicada, com numerosas peças em equilíbrio. A decisão, portanto, será tanto geopolítica quanto militar, e provavelmente ditada por um cálculo de custo-benefício estratégico que, neste momento, ainda permanece em aberto.
Em síntese, assistimos a um deslocamento de forças e à intensificação do diálogo político: Israel pressiona, os Estados Unidos ampliam seu aparato militar, e o Irã observa e responde com suas próprias possibilidades de dissuasão. O resultado imediato dependerá de decisões tomadas nos próximos dias, em especial sobre janelas operacionais e ofertas de negociação que possam desviar ou confirmar o caminho de confronto.






















