Teerã anunciou que a boxa do acordo com os EUA sobre o seu programa nuclear estará pronta em 2-3 dias, declarou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi. Em entrevista, Araghchi afirmou enfaticamente que “não existe uma solução militar” para o programa nuclear iraniano, lembrando sabotagens e assassinatos de cientistas no ano anterior, episódios que, segundo ele, não conseguiram destruir um projeto desenvolvido internamente.
“Houve um ataque significativo às nossas instalações, mataram nossos cientistas, mas não conseguiram destruir nosso programa nuclear. Por quê? Porque foi desenvolvido por nós, por nossos cientistas. Essa é uma tecnologia desenvolvida por nós. Nos pertence e não pode ser destruída por bombardeios, militarmente”, declarou Araghchi, reafirmando a resiliência técnica e política do Irã.
Do lado americano, o presidente Donald Trump disse que está “considerando” a hipótese de um “ataque limitado”. Questionado por um jornalista, respondeu: “Imagino que posso dizer que estou considerando”. A declaração insere mais tensão em um tabuleiro já meticulosamente desenhado por gestos de poder display e movimentações militares.
Relatos da mídia, citando especialistas de defesa, apontam que o Irã teria reposicionado, de forma discreta, seus drones de ataque e outras capacidades durante exercícios navais russos no Estreito de Hormuz. Fox News, com base em análises do especialista Cameron Chell, descreveu o episódio como uma “escalada calculada” no contexto das crescentes fricções com Washington, e sugeriu que as manobras russas podem ter facilitado movimentos iranianos para posições de prontidão.
Segundo analistas, a aparente coreografia — exercícios conjuntos Irã-Rússia ao largo da costa — funcionou simultaneamente como cobertura e demonstração de força. Relatos da Associated Press confirmaram a realização das manobras enquanto o presidente americano intensificava a pressão sobre Teerã para que renunciasse a ambições nucleares, após conversações indiretas ocorridas em Genebra.
Em paralelo às posturas verbais, o CENTCOM divulgou imagens de caças F/A-18 Super Hornet a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln no Mar Arábico. Dados de rastreamento também registraram atividade de drones de reconhecimento MQ-4C Triton próximo à costa iraniana — sinais de vigilância e prontidão que compõem um mapa tático de alto alcance.
Araghchi reiterou ainda que, nas negociações sobre o nuclear, os Estados Unidos não exigiram a completa suspensão do enriquecimento de urânio. “Os EUA não pediram o aniquilamento do enriquecimento”, afirmou, acrescentando que as discussões se concentram em garantias para que o programa, inclusive o enriquecimento, permaneça pacífico “para sempre”.
Esta conjuntura ilustra um movimento decisivo no tabuleiro geopolítico: por trás de palavras firmes e movimentos navais, desenha-se uma tentativa de preservar alicerces frágeis da diplomacia, evitando que rupturas militares revertam avanços que, até agora, têm sido negociados nos bastidores. A resolução, se houver, dependerá tanto de compromissos técnicos quanto de acordos de confiança entre eixos de influência regionais e globais.
Marco Severini — Espresso Italia






















