Por Marco Severini, Espresso Italia. Em declaração repercutida pela Al Jazeera, um alto responsável do Estado-Maior iraniano afirmou que a presença de porta-aviões dos EUA no Oriente Médio “não constitui um fator de dissuasão, mas se tornará um objetivo”. O tom — calculado e firme — marca um novo capítulo na tensão entre Teerã e Washington, com implicações claras para a segurança regional e a tectônica de poder da área.
Segundo a fonte citada, relatos sobre a presença americana na região foram exagerados e qualquer esperança em “operações-relâmpago” contra o Irã é um equívoco estratégico, dada a comprovada capacidade de defesa e ofensiva iraniana. “Qualquer cenário que se apoie no elemento surpresa perderá o controle desde o início”, advertiu o oficial, realçando que Teerã acompanha atentamente “qualquer movimento inimigo que possa ameaçar nossa segurança nacional”.
O porta-voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei Nik, reiterou que os preparativos militares do país foram elevados. “Nossa força de defesa está agora em um nível que nos permite responder com mais vigor e determinação a qualquer ataque americano ou sionista”, declarou, sublinhando que uma eventual agressão resultaria em uma derrota mais severa para o inimigo do que anteriormente.
Do Ministério das Relações Exteriores, o porta-voz Ismail Baghaei reforçou a plena disponibilidade do Irã para defender sua soberania e integridade territorial. Baghaei enfatizou as “capacidades extraordinárias” do país para responder a qualquer agressão e declarou que, embora Teerã não renuncie à diplomacia, a outra parte não deve buscar a guerra. “Qualquer erro de cálculo pode provocar uma resposta decisiva”, advertiu.
Na linha de construção de alianças geoestratégicas, os pronunciamentos oficiais destacaram a importância de aprofundar a cooperação em defesa com China e Rússia para reforçar capacidades nacionais, enquadrando a interferência de EUA ou de Israel nos assuntos regionais como prática inaceitável que ameaça a estabilidade.
Ali Larijani, secretário-geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, avaliou que a “tática americana” mudou, sugerindo que o governo Trump poderia estar tentando lançar operações militares num momento em que o país enfrenta uma crise social capaz de minar a adesão popular. A análise comunica uma visão estratégica: explorar uma crise interna como janela de oportunidade, um movimento arriscado num tabuleiro onde os equilíbrios são frágeis.
O primeiro vice-presidente Mohammad Reza Aref reforçou que o Irã não busca guerra, mas está pronto a defendê-la sem hesitação. Aref afirmou que há planos governamentais para gerir o país em condições de conflito e que as forças armadas estão plenamente preparadas caso uma guerra lhes seja imposta.
Na leitura que faço como analista de geopolítica, essa mensagem tem múltiplos destinatários: intimida o adversário, consolida a coesão interna e sinaliza aos aliados — e aos não alinhados — que o Irã prefere a diplomacia, mas não renuncia aos instrumentos da realpolitik. Em termos de estratégia, é um movimento defensivo no tabuleiro, mas com potencial para redesenhar fronteiras invisíveis da influência regional. A estabilidade depende agora da prudência daqueles que controlam os navios de guerra e, sobretudo, das decisões tomadas nas salas onde se desenha a política de poder.






















